Vacinação de adolescentes contra Covid: por que governo voltou a recomendar imunização de menores

Secretário-executivo do Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (22/09) que pasta retomou orientação de imunizar jovens de 12 a 17 anos depois que relação de morte de adolescente com a vacina foi descartada.

Adolescente de 14 anos é vacinado contra a Covid-19 no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro. — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Dias depois de suspender a vacinação contra a Covid-19 de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades, o Ministério da Saúde anunciou na noite desta quarta-feira (22/09) que voltou a recomendar a imunização deste grupo.
A decisão foi comunicada pelo secretário-executivo da pasta, Rodrigo Moreira Cruz, segundo quem o recuo se deu após as autoridades descartarem a relação causal da vacinação com a morte de uma adolescente.
Na quinta-feira (16/9), o Ministério da Saúde havia divulgado uma portaria recomendando a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades. De acordo com a normativa, adolescentes só deveriam ser vacinados se tivessem algum fator de risco para a Covid-19, como doenças cardíacas, diabetes ou imunossupressão.
Na ocasião, o governo argumentou que a suspensão ocorria após a morte de uma adolescente que havia sido imunizada. Havia suspeitas de que a morte dela tivesse relação com a vacina, o que demandaria uma investigação sobre o caso. Essa relação foi a que acabou descartada após análise.
Além disso, o governo disse que havia detectado registros de adolescentes que teriam sido vacinados com imunizantes não autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Até o momento, a única vacina autorizada para a imunização de adolescentes é a Comirnaty, fabricada pela Pfizer/Biontech.
Nesta quarta-feira, Rodrigo Cruz disse que a decisão de voltar a recomendar a vacinação de adolescentes sem comorbidades acontece após estudos descartarem a ligação entre a morte da jovem e a vacina contra a Covid-19.
"Os três documentos […] mostraram que não há relação de causa entre a vacina e o óbito da adolescente. Neste cenário, decidiu-se suspender a medida cautelar que recomendava a não aplicação dessas doses", afirmou o secretário.
"Hoje, foi publicada uma nota técnica elaborada pelo ministério que avalia todo esse cenário e verifica que os benefícios da vacinação são maiores que os eventuais riscos de efeitos adversos da sua aplicação", disse.
Cruz afirmou ainda que o ministério procurou estados e municípios para saber os motivos pelos quais os registros da pasta indicavam que adolescentes teriam sido imunizados com doses de vacinas não aprovadas pela Anvisa para este público. Ele afirmou, no entanto, que o total de registros suspeitos representa apenas 0,7% do total de adolescentes vacinados.
O secretário afirmou que a nova posição do ministério faz parte de uma nota técnica da pasta.
O recuo do governo em relação à vacinação de adolescentes sem comorbidades acontece após uma série de críticas de governos estaduais e de sociedades médicas que se manifestaram contra a recomendação da semana passada.
Na ocasião, a Anvisa chegou a divulgar uma nota afirmando que não havia até o momento "evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina".
* https://g1.globo.com/saude/Por Leandro Prazeres, BBC — Brasília.



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