Sem vacina até março, Brasil pode passar pelo que Europa vive hoje

Pesquisador da Universidade Johns Hopkins afirma que número de casos deve aumentar nos meses de inverno, como ocorre agora no hemisfério norte

França enfrenta novo lockdown após número de infecções disparar
Christian Hartmann/Reuters - 30.10.2020
O verão relativamente tranquilo que a Europa teve durante a pandemia da covid-19 foi logo esquecido com a chegada do outono. Rapidamente, o número de casos cresceu, assim como o risco de colapso de sistemas de saúde com o aumento de internações.
Não houve saída, e governos se viram obrigados a impor restrições tão duras quanto as implantadas no começo do ano.
Nos Estados Unidos, o número de novos casos nunca caiu de forma considerável, mas alguns estados chegaram a ter um alívio.
No entanto, bastou o frio chegar para que o país batesse um recorde: 99,3 mil infecções registradas em 24 horas, na última sexta-feira (30).
O que está acontecendo no hemisfério norte deve servir de ensinamento a países como o Brasil.
A avaliação é do médico, pesquisador e professor Adam Ian Kaplin, da Universidade Johns Hopkins (EUA), uma das escolas de medicina mais prestigiadas do mundo.
Kaplin é um dos autores de um estudo que, em junho, já alertava para o aumento da taxa de infecção pelo coronavírus com a chegada do frio.
O artigo, publicado na plataforma medRxiv, também aponta que há uma redução do contágio nos meses de calor, mas em menor ritmo.

Kaplin é professor da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins
Arquivo pessoal
Em entrevista ao R7, o professor ressalta que o Brasil deve ter uma relativa queda do número de novos casos e óbitos nos meses de calor — algo que já vem se mostrando nos gráficos.
"A gente observou que quando esquenta, existe uma queda de 70% [do número de novos casos], o que é ok. Mas é importante saber que quando esfria, você tem um aumento de 200% a 300%. E é o que está acontecendo aqui [Estados Unidos]. Ainda não sabemos exatamente por quê."
Porém, se não houver uma vacina até o começo do próximo outono, em março, o Brasil corre risco de passar por uma nova alta de infecções, afirma.
"O melhor preditor do comportamento futuro é o comportamento passado — e vocês podem ver o passado. O futuro do Brasil é o que está acontecendo aqui nos Estados Unidos e na Europa, os casos estão subindo conforme está ficando mais frio. Eu acredito 100% que os casos vão subir no Brasil quando esfriar, a menos que haja uma vacina."
Números do Our World in Data mostram como os gráficos de novos casos se inverteram no Brasil e na Europa nos meses mais frios.
* Fernando Mellis, do R7.



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