Seleção feminina aposta em jovens com dupla nacionalidade para não perder joias para o exterior

Brasil pode enfrentar na SheBelieves Cup a maranhense Catarina Macario, de 21 anos, que joga pelos EUA
Entre as 25 jogadoras convocadas pela técnica Pia Sundhage para o torneio SheBelieves Cup, em fevereiro, nos EUA, dois nomes chamaram a atenção: a meia Ivana Fuso, de 19 anos, e a atacante Giovana Queiroz, de 17. Possíveis surpresas para os Jogos Olímpicos de Tóquio? Dificilmente. A presença das duas nos amistosos preparatórios tem outra motivação.

Giovana Queiroz e Ivana Fuso, as novas promessas da seleção brasileira — Foto: Arte: Infoesporte
Tanto Ivana, convocada pela primeira vez, quanto Giovana, que fez sua estreia na seleção em dezembro, contra o Equador, estão elegíveis para defender mais de um país, e a CBF espera que ambas optem por atuar na seleção brasileira.
No Twitter, as duas jovens expressam seus laços multinacionais em seus perfis: Giovana com a bandeira dos três países em que viveu, e Ivana se apresentando como jogadora da seleção alemã sub-19. Ambas retuitaram a notícia da convocação no perfil da CBF.

Perfis de Giovana Queiroz e Ivana Fuso no Twitter — Foto: Reprodução
Baiana de Salvador, Ivana fez toda a base na Alemanha, e ano passado trocou o Basel, da Suíça, pelo Manchester United, atual líder do Campeonato Inglês. Naturalizada alemã, ela defendeu a seleção da categoria sub-15 à sub-19. Giovana, do Barcelona, nasceu em São Paulo, mas morou nos Estados Unidos antes de se mudar para a Espanha e já atuou nas três seleções na categoria sub-17.

Imagem: reprodução internet.
"Obrigada, estou realmente feliz com isso. Novo desafio", escreveu Ivana Fuso no Twitter após ser convocada para a seleção brasileira
Na convocação desta quinta, a coordenadora da seleção feminina, Duda Luizelli, não escondeu a importância de trazê-las o quanto antes para a seleção, para diminuir o risco de tê-las como adversárias no futuro.
- A preocupação sempre existe. A gente entende que as meninas que têm a possibilidade de ter dupla ou tripla cidadania, elas certamente daqui para frente vão escolher a seleção brasileira. Já temos a Ivana, que tem a cidadania alemã, assim como a Giovana, que tem a cidadania espanhola. Elas sendo abraçadas pelas meninas da seleção, tenho certeza de que elas vão querer ficar aqui para sempre - afirmou Duda na entrevista coletiva após a convocação.
A sueca Pia Sundhage conhece o futebol de Ivana Fuso desde quando ainda dirigia a seleção sub-17 da Suécia, seu último trabalho antes de assumir o Brasil.
- É interessante ver novas jogadoras, como a Ivana, por exemplo. Eu vi a Ivana quando era treinadora da Sub-17 da Suécia, ela estava jogando como uma jogadora alemã. É forte, e tem uma leitura do jogo muito clara, e com tudo isso ela tem também um pouco de brasilidade. Eu também acho que quando jogarem com outras jogadoras como a Marta e a Formiga, acho que elas vão ficar muito inspiradas - declarou a treinadora do Brasil.
- Catarina Macario estreou pelos EUA este mês
Em fevereiro, na SheBelieves Cup, a seleção brasileira pode ter pela frente um dos principais exemplos do talento nacional a serviço de outra camisa: a atacante maranhense Catarina Macario, de 21 anos, contratada este mês pelo Lyon, pentacampeão da Champions League.

Catarina Macario está liberada para defender a seleção dos EUA — Foto: USSoccer
Morando com família nos EUA desde os 12 anos, Catarina se destacou no futebol universitário defendendo o time da Universidade de Stanford. Em outubro do ano passado, recebeu a cidadania americana, e semana passada estreou na seleção dos Estados Unidos.
Depois de entrar no segundo tempo no primeiro dos dois amistosos contra a Colômbia, Catarina foi titular e fez seu primeiro gol pelos EUA no segundo encontro com as colombianas, sexta-feira passada, abrindo o placar na goleada por 6 a 0. Com boa movimentação, uma bola na trave e várias chances criadas, ela foi escolhida a melhor em campo na partida.
* Por Redação do ge — Rio de Janeiro.
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