Quando a crítica vira crime para alguns, a democracia perde para todos


Foto arte: Reprodução internet
A decisão judicial que determina a prisão do jornalista Luan Araújo reacende um debate preocupante sobre os limites da liberdade de expressão e o peso da Justiça diante de quem denuncia o poder.
Independentemente dos aspectos legais do processo, causa inquietação ver um jornalista negro, que já esteve no centro de uma situação de evidente vulnerabilidade, tornar-se alvo de uma medida tão extrema por uma condenação ligada à sua atividade comunicativa.
O caso expõe uma velha ferida brasileira: a sensação de que a punição costuma ser mais rigorosa para os que ocupam os espaços historicamente marginalizados.
Quando a crítica, a denúncia ou a divergência resultam em consequências severas para um comunicador negro, enquanto tantos outros casos de violência, corrupção e desigualdade permanecem sem resposta efetiva, a percepção de seletividade ganha força.
A Justiça deve proteger a honra, mas também precisa preservar os pilares da democracia, entre eles a liberdade de imprensa e o direito ao contraditório. O combate à difamação não pode se transformar em instrumento de intimidação contra jornalistas, especialmente aqueles que desafiam estruturas de poder.
Em um país marcado pelo racismo estrutural, a certeza da impunidade para alguns não pode caminhar lado a lado com a certeza da punição para os mesmos de sempre.
Quando a voz de um jornalista negro é silenciada com o peso do Estado, não é apenas um homem que perde a liberdade, é a democracia que perde a coragem.
A impunidade dos poderosos alimenta o medo, a perseguição dos que denunciam alimenta a injustiça.
Numa sociedade desigual, a Justiça precisa ser cega para privilégios, não para o racismo.
Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.



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