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Prefeitura de Muriaé anuncia medidas restritivas e 'lockdown' para evitar colapso no sistema saúde

Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
Jornal Esporte e Saúde
18 de jun. de 2020
4 min de leitura

Uma das razões para a adoção das restrições é a dificuldade de compra de medicamentos para pacientes de UTI. Algumas medidas para o funcionamento do comércio já começam nesta sexta-feira (19) e seguem até domingo (21); já o lockdown passa a valer a partir de segunda (22).



Cidade de Muriaé — Foto: Prefeitura de Muriaé/Divulgação.


O prefeito Ioannis Konstantinos Grammatikopoulos – Grego (PSD) anunciou em live nas redes sociais na noite de quarta-feira (17) que irá adotar "lockdown" em Muriaé, a partir de segunda-feira (22) para evitar um colapso no sistema de saúde municipal e contar o avanço dos casos de Covid-19 no município.


Embora não tenha uma definição única, o "lockdown" é, na prática, a medida mais radical imposta por governos para que haja distanciamento social – uma espécie de bloqueio total em que as pessoas devem, de modo geral, ficar em casa.


Para isso, medidas mais restritivas já foram tomadas e afetarão o funcionamento do comércio a partir desta sexta-feira (19), como forma de adaptação para fechamento total da próxima semana. Grego explicou que neste fim de semana será publicado um decreto que estabelece o "lockdown".


Na live, que contou com a presença do secretário municipal de Saúde, Paulo César de Oliveira, e o médico infectologista Daniel Licy, o prefeito explicou que a adoção das medidas mais rígidas foi motivada pela dificuldade de compra de medicamentos sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares por parte dos hospitais de Muriaé.


Estes remédios são utilizados em pacientes nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), principalmente para casos de entubação em pessoas com Covid-19 e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARG).


O G1 mostrou na quarta-feira que o Hospital São Paulo e a Fundação Cristiano Varella enviaram um ofício relatando a falta destes medicamentos para a compra.


- 'Lockdown' e período de transição



Prefeitura de Muriaé anuncia "lockdown" a partir da próxima segunda-feira

— Foto: Prefeitura de Muriaé/Divulgação


"Lockdown" é uma expressão em inglês que, na tradução literal, significa confinamento ou fechamento total. Ela vem sendo usada frequentemente desde o agravamento da pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).


Se um governante impõe um esta medida, a circulação fica proibida, a não ser que ela se dê, por exemplo, para compra de alimentos, transporte de doentes ou realização de serviços de segurança.


Muriaé foi a primeira cidade da Zona da Mata a anunciar a adoção desta medida. Conforme o prefeito Grego, o município passa ao fechamento total a partir de segunda-feira e permanecerá desta forma por, no mínimo, 14 dias.


Entretanto, as regras do que poderá funcionar e a fiscalização do "lockdown" ainda serão publicadas no Diário Oficial do Município.


Por isso, o chefe do Executivo estabeleceu um período de transição, que começa a partir de sexta-feira (19) e vai até domingo (21). Veja abaixo as medidas restritivas que entram em vigor na sexta.


- Funcionamento do comércio, feira livre e bancos


Segundo o prefeito, apenas cinco áreas de atuação terão o funcionamento estendido na sexta-feira (19) e no sábado (20), são elas:


* Oficinas mecânicas: poderão funcionar até 18h;

* Padarias e supermercados: abertos até 20h;

* Postos de gasolina, farmácias e drogarias: poderão funcionar até 22h; com exceção das farmácias de plantão.


Todos os outros setores comerciais e produtivos da cidade, que está inserida na onda verde do programa estadual Minas Consciente, só poderão abrir de 12h às 18h nesta sexta e de 9h às 13h neste sábado.


Fora deste horário, o comerciante está autorizado a funcionar por delivery, mas não poderá realizar sistema de retirada na loja ou deixar o estabelecimento aberto.


No domingo, todos os estabelecimentos estarão fechados, com exceção de postos de gasolina e farmácias.


A feira livre do domingo, que acontece na Avenida Alfredo Pedro Carneiro, no Bairro Boa Vista, ocorrerá com restrições. Apenas os feirantes residentes em Muriaé poderão montar as barracas, o que reduzirá 30% do número de expositores. O consumo de produtos no local também está proibido.


Valendo também para este fim de semana, os bancos e casas lotéricas seguirão com o mesmo horário de funcionamento, mas com algumas mudanças. Apenas um cliente poderá permanecer dentro do estabelecimento para cada terminal funcionando e as instituições financeiras deverão controlar o fluxo de entrada e a fila do lado de fora.


Fiscais de postura da Prefeitura fiscalizarão a cidade e os distritos de forma intensiva nestes próximos três dias para cumprimento das determinações.


- 'Pior momento da curva'


Conforme o secretário de Saúde, Paulo César de Oliveira, até a noite de quarta-feira, Muriaé tinha 391 casos confirmados de Covid-19 e 16 mortes pela doença. Além disso, há 90 pacientes internados nos hospitais da cidade, sendo que 64 são casos suspeitos do novo coronavírus.


Dos casos confirmados, 21 estão na UTI, sendo que 13 estão entubados. Outros 43 pacientes estão em leitos clínicos.


O secretário e o médico infectologista Daniel Licy consideraram que Muriaé está no "pior momento da curva epidemiológica da Covid-19" e que isso já estava previsto, tanto para a cidade, quanto para o Estado.


O médico, o secretário e o prefeito reafirmaram que a população não cumpriu as medidas de isolamento social, o que gerou um aumento nos casos.


"É crescente o número de pacientes internados e pacientes de UTI. Iniciaremos um arroxo nas medidas a partir de sexta-feira. Só saiam de casa se tiverem necessidade. Usem máscara e álcool em gel. Vamos nos preservar. O pior ainda está por vir", afirmou Paulo César.


- Hospitais têm dinheiro para comprar remédio, mas não tem quem venda

Paulo César e Daniel Licy explicaram sobre a questão da dificuldade de compra de medicamentos sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares.


"Existe uma falta nacional de drogas para pacientes cirúrgicos, de UTI e de Covid. Mesmo que os hospitais tenham o recurso financeiro, o que é o nosso caso, eles abrem a cotação e não há nem a empresa, nem o fornecedor para vender tais medicamentos", relatou Licy.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), alguns hospitais de Minas Gerais enfrentam um "contingenciamento e remanjeamento" de certos medicamentos, como os sedativos opióides Fentanil, Sulfentanil, Alfentanil; os anestésicos Cetamina e Dextrocetamina; os sedativo benzodiazepínicos como Midazolam e os bloqueadores neuromusculares como o Suxametonio, Rocuronio, Atracurio, Cisatracurio e Pancuronio.


Conforme o médico infectologista, não há desabastecimento destes medicamentos em Muriaé até quinta-feira. Entretanto, o Hospital São Paulo e a Fundação Cristiano Varella não conseguiram realizar novas compras destas drogas para a realização de um estoque de segurança.


"Estamos trabalhando com um estoque abaixo do que é o habitual e o de segurança e estamos prevendo um aumento da demanda destes medicamentos", alertou Daniel.


Paulo César pontuou que não é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde a aquisição destes medicamentos hospitalares, mas que um possível desabastecimento afetaria o sistema de saúde da cidade.


* Por Amanda Andrade, G1 Zona da Mata.




 
 
 

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