Padre Júlio Lancellotti expõe criminalização da solidariedade e perseguição por defender direitos humanos
- Jornal Esporte e Saúde

- 26 de dez. de 2025
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Foto: Reprodução internet
O padre Júlio Lancellotti, referência nacional na defesa da população em situação de rua, tem exposto publicamente a criminalização da solidariedade e a perseguição que vem sofrendo em razão de seu trabalho pastoral e humanitário em São Paulo. Reconhecido por sua atuação junto aos mais pobres e vulneráveis, o religioso tornou-se alvo constante de ataques, ameaças e tentativas de deslegitimar sua missão, fundamentada no acolhimento, na escuta e na defesa dos direitos humanos.
À frente da Pastoral do Povo da Rua, padre Júlio desenvolve ações diárias de apoio, como a distribuição de alimentos, orientação social e cuidado direto com pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. No entanto, práticas solidárias que deveriam ser reconhecidas como expressão de humanidade e compromisso social têm sido tratadas, por setores da sociedade, como um problema de ordem pública, contribuindo para um ambiente de hostilidade e intolerância.
A perseguição se manifesta por meio de ataques virtuais, disseminação de fake news, ameaças de morte e tentativas de associar a solidariedade à criminalidade ou à desordem urbana. Esse cenário se agravou com a decisão da Arquidiocese de São Paulo de proibir a transmissão de celebrações religiosas realizadas pelo padre por meio das redes sociais, medida que gerou questionamentos entre fiéis, apoiadores e entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Para muitos, a proibição representa mais um episódio de silenciamento diante do alcance social e político de sua atuação pastoral.
Ao expor o contexto de perseguição, padre Júlio expressou preocupação com o clima de ódio e conspiração que, segundo ele, cresce paralelamente às iniciativas de solidariedade.
“Eu não sei o que vai acontecer nas próximas semanas, porque, assim como nós nos juntamos para dizer que somos irmãos, muitos se juntam também para conspirar contra. Assim como nós nos juntamos para rezar, outros se organizam para conspirar, para destilar o seu ódio”, afirmou.
Diversas organizações de direitos humanos, movimentos sociais, lideranças religiosas e representantes políticos têm se manifestado em apoio ao religioso, ressaltando que sua atuação está amparada pela Constituição Federal, que garante a dignidade da pessoa humana e o direito à vida. Para esses grupos, a criminalização da solidariedade representa um grave retrocesso democrático e um ataque direto àqueles que atuam em defesa da justiça social.
A situação vivida por padre Júlio Lancellotti amplia o debate sobre o enfrentamento da pobreza e da exclusão social no Brasil. Em um contexto marcado pela ausência de políticas públicas eficazes, cresce a repressão e a tentativa de silenciar vozes que expõem as desigualdades, enquanto a população mais vulnerável segue sendo empurrada para a invisibilidade.
Mesmo diante das ameaças e restrições, padre Júlio reafirma seu compromisso com a vida e com os princípios do Evangelho, tornando-se símbolo de resistência, solidariedade e defesa intransigente dos direitos humanos.
Mônica Braga – jornalista
Atua, também , na cobertura de direitos humanos, movimentos sociais, políticas públicas e temas relacionados à justiça social, com foco na defesa da democracia e na visibilidade de grupos historicamente marginalizados.
* Texto: jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.







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