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O Absurdo de Punir Quem Já Foi Violentada

Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
Jornal Esporte e Saúde
5 de jun.
3 min de leitura

Imagem - reprodução ilustrativa internet


Por Mônica Braga - Opinião


NÃO AO FALSO MORALISMO DE DAMARES ALVES E TODA FAMÍLIA BOLSONARO


Há decisões políticas que transcendem divergências ideológicas. Elas tocam o limite ético de uma sociedade.


Quando o debate envolve meninas menores de 14 anos, vítimas de estupro, não deveria haver espaço para cálculos eleitorais, disputas partidárias ou discursos moralistas. Deveria haver apenas uma preocupação, proteger quem já sofreu uma violência irreparável.


Obrigar uma criança a levar adiante uma gravidez resultante de estupro não é defesa da vida. É a imposição de uma segunda violência sobre quem já teve a sua infância roubada.


É transformar o corpo da vítima em instrumento de uma agenda política que ignora sua dor, seu trauma e sua condição humana.


Os mesmos setores que frequentemente se apresentam como defensores da família parecem esquecer que não existe proteção à família sem proteção às crianças.


Não existe defesa da moral quando se nega acolhimento às vítimas. Não existe justiça quando o peso das consequências recai sobre quem sofreu o crime, e não sobre quem o cometeu.


O que está em jogo não é apenas uma questão jurídica. É uma escolha moral. De um lado, a proteção integral de meninas violentadas. Do outro, a tentativa de impor sofrimento adicional a quem já foi brutalmente ferida.


Uma sociedade civilizada mede sua grandeza pela forma como ampara os mais vulneráveis. E poucas pessoas são mais vulneráveis do que uma criança vítima de violência sexual.


A história será implacável ao julgar aqueles que, diante do sofrimento de meninas estupradas, escolheram a ideologia em vez do acolhimento, a punição da vítima em vez da responsabilização do agressor.


Porque toda lei que retira proteção das vítimas acaba, inevitavelmente, ampliando a sombra da impunidade sobre seus carrascos.


Não há moralidade em obrigar uma criança a carregar as consequências de um crime. Há apenas o fracasso de uma sociedade que confunde punição da vítima com defesa da vida.


Roubaram sua infância com a violência. Não cabe ao Estado roubar também seu direito de recomeçar. Nenhuma menina deveria ser condenada à maternidade para satisfazer a consciência de quem nunca carregará sua dor.


O verdadeiro valor de uma sociedade não está nos discursos sobre moral, mas na coragem de proteger suas crianças. Infância não é espaço para punição, sofrimento ou imposição ideológica.


Criança precisa de proteção, não de martírio. Chamar de defesa da vida aquilo que prolonga o sofrimento de uma criança violentada é apenas dar um novo nome à crueldade.


O falso moralismo se preocupa com a gravidez, a verdadeira humanidade se preocupa com a menina. Uma criança vítima de estupro precisa de acolhimento, cuidado e proteção. Qualquer coisa diferente disso é abandono travestido de moralidade.


A postura de lideranças como a de DAMARES ALVES expõe uma contradição difícil de ignorar. Seu discurso público foi construído em uma falsa defesa das crianças e da proteção da infância. Suas propostas e posicionamentos, aliados à FAMÍLIA BOLSONARO, acabam por restringir direitos de meninas vítimas de violência sexual, abrindo um abismo entre a retórica e a prática.


Quando a proteção de meninas vítimas de estupro é relativizada, o discurso da defesa da infância perde credibilidade, nenhuma sociedade pode se dizer justa enquanto exigir heroísmo de meninas que deveriam estar apenas vivendo sua infância.


NENHUMA MENINA DEVE SER CONDENADA À MATERNIDADE PARA SATISFAZER A CONSCIÊNCIA DE QUEM NUNCA CARREGARÁ A SUA DOR!


CRIANÇA NÃO É MÃE! ESTUPRADOR NÃO É PAI!


* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprebsa.







 
 
 

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