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Morre maquinista após quase oito horas de resgate

Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
Jornal Esporte e Saúde
27 de fev. de 2019
3 min de leitura

Mais de 30 bombeiros de três quartéis trabalharam para retirar Rodrigo Assunção dos ferros retorcidos da colisão



Acidente aconteceu no ramal Deodoro da SuperVia - Estefan Radovicz / Agência O Dia.


Rio - Após quase oito horas de resgate, morre o maquinista que estava preso às ferragens dos trens da SuperVia que colidiram em São Cristóvão, na manhã desta quarta-feira. Mais de 30 bombeiros de três quartéis trabalharam para retirar Rodrigo Assunção dos ferros retorcidos da colisão.


Depois de retirado do vagão, a vítima teve uma parada cardíaca e começou a ser reanimada ainda no local, passando por uma massagem cardíaca, no entanto, ele não resistiu.


As equipes montaram um esquema para retirar Rodrigo pelos trilhos, suspendendo inclusive a circulação dos trens que passavam, mas o socorro foi interrompido após ele sofrer a parada cardíaca. Os militares se revezam na tentativa de manter vivo o maquinista e as manobras de reanimação duraram 30 minutos.


No início do socorro, uma das primeiras medidas adotadas ao maquinista foi colocar uma balão de oxigênio para que ele conseguisse respirar naquela situação. A vítima, que ficou presa por 7h44 nas ferragens, estava acordada e conversava com os militares durante o resgate. Os bombeiro usaram, a todo o momento, um maçarico para cortar os ferros.


Mesmo após horas de trabalho, uma peça bem pesada ainda permanecia sobre o corpo do maquinista, o que aumentava o cuidado dos militares. Os bombeiros tiveram dificuldade para retirar a estrutura de cima dele. A prioridade era cortar o objeto e liberar o espaço para seu salvamento.


Outras oito pessoas ficaram feridas, sete delas foram socorridas no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro: Luiz Thiago Mendes Machado, 31 anos; Isabel C. de Paula, 44 anos; Sandro Ricardo Moreira, 43 anos; João P. Corrêa, 62 anos; Ângela F. Viana, 57 anos; Cesário Batista S. Cardoso, 52 anos; Fabio L. Abreu, 50 anos. De acordo com a Secretária Municipal de Saúde (SMS), todos os pacientes já foram liberados.


Ainda segundo a SMS, uma outra vítima, identificada como Luciana do J. Leal, 42 anos , foi levada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, Zona Norte. No entanto, a mulher deixou a unidade de saúde por vontade própria.


Galeria: veja imagens do grave acidente


A diarista Andréia Mathias, de 43 anos, estava no último vagão do trem que bateu, e chegou a cair no chão por causa da colisão. "Muita gente se assustou com o barulho e a gente começou um ajudar o outro. Eu só cai. Graças a Deus foi um grande livramento", relembra ela, que embarcou na Central e iria soltar em São Cristóvão, dizendo que o trem não estava cheio.


Controladores teriam autorizado trem seguir viagem


Os sinais das linhas da SuperVia entre as estações Central do Brasil e São Cristóvão estariam verdes momentos antes da colisão entre dois trens, na manhã desta quarta-feira. Isso indica que o maquinista que bateu na outra composição teve a permissão dos controladores de tráfego para seguir viagem, até que aconteceu o acidente. As informações são de funcionários da concessionária ouvidos pelo DIA, que não quiseram se identificar.


O choque entre os trens aconteceu em São Cristóvão, pouco antes das 7h. Um trem de passageiros que vinha da Central, em direção a Deodoro, bateu em outro que estava parado na estação. Nove pessoas ficaram feridas, dentre elas um maquinista, que ficou preso às ferragens.


As mesmas fontes ouvidas pelo DIA contaram que o trem que foi atingido estaria com problemas técnicos e ficou parado em São Cristóvão por muito tempo. O maquinista deste não teria avisado ao controle de tráfego que continuava na estação, até que foi atingido pelo outro tem.


Witzel fala em investigação


O governador Wilson Witzel informou que a Secretaria Estadual de Transportes, juntamente com a SuperVia, vão investigar o acidente. "Vamos tomar as providências necessárias para que não aconteça mais. Foi um acidente lamentável, que aparentemente demonstra que houve um grave erro da empresa. A companhia será devidamente investigada e multas serão aplicadas, entre outras providências. Não pode e nem vai acontecer novamente", disse Witzel.


Em nota, a SuperVia lamentou o falecimento do maquinista. "Rodrigo da Silva Ribeiro Assumpção era funcionário da SuperVia desde 2011, quando passou por vários treinamentos para assumir a função de maquinista, que desempenhava havia cinco anos. Ele era casado e tinha um filho. A SuperVia está prestando toda assistência à família", disse a concessionária no texto.


"No acidente, oito pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas aos hospitais da região. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maioria delas já foi liberada. Os dois trens envolvidos no acidente, assim como a linha 1, do ramal Deodoro, estavam equipados ATP (Automatic Train Protection), sistema que reforça a sinalização. A concessionária instaurou uma sindicância, que vai apurar as causas do acidente no prazo de 30 dias", finalizou.


* Por O Dia.





 
 
 

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