Dois pesos, duas medidas!?


Foto: Reprodução internet
Por Mônica Braga / Opinião
A comparação feita pelo jornalista Tiago Leifert entre Marta e Neymar causou estranheza e abriu espaço para um debate necessário sobre critérios e coerência.
Enquanto Marta, seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo e símbolo de transformação do futebol feminino, foi alvo de uma análise rígida centrada em seus erros, Neymar recebeu justificativas relacionadas ao ambiente, contexto e circunstâncias.
A diferença de tratamento chama atenção, principalmente porque Marta construiu sua trajetória enfrentando barreiras estruturais que jamais fizeram parte da realidade do futebol masculino.
Seu legado ultrapassa títulos, ela abriu portas, rompeu preconceitos e mudou a história do esporte.
Já Neymar, embora seja um dos maiores nomes da Seleção Brasileira e protagonista de uma geração marcada pela exposição midiática, ainda não alcançou o principal objetivo que o consagrou como esperança nacional, que seria a conquista de uma Copa do Mundo.
Hoje, seu nome segue muito mais sustentado pelo impacto comercial e pela repercussão midiática do que pelo resultado máximo esperado dentro de campo.
O problema não está em defender Neymar ou criticar Marta. Está em utilizar critérios diferentes para avaliar dois atletas importantes.
Quando a régua muda conforme o personagem, a análise deixa de ser técnica e passa a ser questionável.
Cobrar Marta pela perfeição e justificar Neymar pelas circunstâncias, é uma comparação tão desigual quanto injusta.
Ao pesar Marta e Neymar com medidas diferentes, Tiago Leifert transformou uma análise esportiva em um retrato da desigualdade que ainda insiste em sobreviver no esporte.
Para você, Tiago:
Tiago Leifert, eu, Mônica Braga, também jornalista, defendo até as últimas consequências o direito à opinião, à crítica e à divergência.
Como jornalista, sei que nossas palavras podem provocar aplausos, ataques, deboche e incompreensão. Faz parte do ofício. Também faz parte, a prisão, tentativa de homicídio como aconteceu com o nosso colega jornalista negro Luan Araújo, que foi perseguido por Zambelli? Dois pesos, Duas medidas!?
Não pude deixar de perceber, ao ler e reler suas declarações, a impressão de duas medidas distintas: uma régua para diminuir Marta, sua trajetória e seus erros; outra para compreender, justificar e absolver Neymar.
Porque, no fim, não é sobre Marta ou Neymar, é sobre a coerência que sustenta a verdade e a coragem de defendê-la, mesmo quando ela contraria os nossos favoritos.
A liberdade de opinião é um direito; a coerência com que a exercemos é o que define nossa credibilidade.
Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.



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