Brasil perde a identidade e se despede da Copa
- Jornal Esporte e Saúde

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Mais do que a eliminação, preocupa o futebol sem alma da Seleção

Foto: Reprodução internet
Por Mônica Braga
A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, não representa apenas o fim do sonho do hexacampeonato. Ela escancara uma realidade que a torcida brasileira vem adiando enfrentar: o Brasil já não assusta como antes.
A Seleção criou oportunidades, desperdiçou um pênalti com Bruno Guimarães, perdeu chances claras de gol e viu Erling Haaland decidir a partida com a frieza de quem sabe aproveitar cada espaço concedido.
Neymar, principal nome da geração, mais uma vez esteve distante do protagonismo que dele se espera. Entrou no segundo tempo, pouco participou da construção das jogadas e, embora tenha convertido um pênalti nos acréscimos, sua atuação esteve longe de mudar o destino da equipe. O futebol pede liderança dentro de campo, e não apenas a lembrança do brilho de outros tempos.
O que mais dói ao torcedor não é perder. O Brasil já perdeu outras Copas. O que machuca é assistir a uma Seleção sem criatividade, sem ousadia e sem a alegria que transformou o futebol brasileiro em referência mundial.
O país que encantou o mundo com Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká construía vitórias pela coragem de atacar, pela improvisação e pela confiança. Hoje, sobra cautela e falta identidade.
A crítica não deve ser dirigida apenas a um jogador ou ao técnico. Ela precisa alcançar toda uma estrutura que, há anos, parece valorizar mais a imagem do que o desempenho, mais o marketing do que a regularidade técnica.
Ainda há talento no futebol brasileiro. O que falta é resgatar a essência que fez da camisa amarela a mais respeitada do planeta. Enquanto isso não acontecer, o peso das cinco estrelas continuará vivendo mais na memória do que dentro das quatro linhas.
A eliminação para a Noruega deve servir como ponto de partida para uma reconstrução. Porque tradição não ganha jogos. Quem vence é quem joga melhor.
* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.



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