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Augusto Cury e o elevador ideológico: quando a sapiência desce alguns andares

Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
Jornal Esporte e Saúde
6 de set.
2 min de leitura

Foto: Reprodução internet


Por Mônica Braga


Há textos que não precisam de interpretação acadêmica. Basta lê-los, e, às vezes, rir para não chorar.


Foto: Reprodução internet


A postagem que circula nas redes transforma Augusto Cury em personagem de uma caricatura política: um bolsonarista que, segundo o texto, não teria sequer a habilidade de entrar em um elevador sem deixar um rastro de inconveniência pelo caminho.


O deboche é explícito: “não peida dentro do elevador cheio”, “não caga e deixa a privada cheia de bosta”, “não arrota alto à mesa do restaurante” e “não coça o saco na frente das visitas”. A conclusão vem como um trovão de quinta série: “Um bozo de sapatênis!”


É grosseiro? É.


É elegante? Nem de longe.


Mas talvez justamente aí esteja a força satírica da postagem: pegar a solenidade de uma suposta postura intelectual e colocá-la diante das pequenas, e nada nobres, regras de convivência que qualquer pessoa deveria conhecer antes mesmo de aprender a conjugar o verbo “civilizar”.


O alvo, portanto, não é apenas uma posição política. É a caricatura do bolsonarismo de condomínio, aquele que troca o grito pela pose, o argumento pelo deboche e a reflexão pela fidelidade canina ao próprio grupo.


Um “gado fraco”, para usar a linguagem da própria provocação: não necessariamente porque lhe falte inteligência, mas porque, quando a política vira culto, até a inteligência pode ser colocada de joelhos diante do curral.


E há uma ironia literária nisso tudo.


Augusto Cury construiu sua trajetória em torno de reflexões sobre comportamento, emoções e relações humanas. A internet, em sua infinita capacidade de produzir paradoxos, agora o coloca diante de um banheiro entupido, de um elevador malcheiroso e de uma mesa onde alguém arrota.


É o encontro improvável entre a psicologia e a privada.


Entre a filosofia e o saco coçado na sala.


Entre a pretensão de grandeza e a pequenez dos maus modos.


No fim, talvez a pergunta mais interessante nem seja “o que é Augusto Cury?”


Talvez seja:


De que adianta falar sobre inteligência, humanidade e comportamento se, na hora de conviver com o outro, a civilidade fica presa no elevador?


Porque caráter não cabe em sapatênis.


E educação, política, intelectual ou simplesmente humana, começa onde termina o direito de incomodar o outro.



Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.

 
 
 

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