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A ervilha como cérebro: bolsonarismo, moralismo seletivo e a política do ódio

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • 18 de fev.
  • 2 min de leitura

Foto: Reprodução


Por Mônica Braga


Opinião


A visita de Luiz Inácio Lula da Silva a uma escola em Niterói foi suficiente para reativar o que se pode chamar de “cérebro-ervilha” do bolsonarismo: pequeno, raso, reativo e programado para odiar qualquer símbolo de inclusão social.


A reação não foi pedagógica, nem racional, nem democrática. Foi instintiva, quase biológica: atacar Lula, atacar a escola pública, atacar a política — enquanto fingem defender a moral.


O bolsonarismo construiu uma narrativa onde a ignorância é virtude, a violência é relativizada e o autoritarismo é vendido como ordem.


O resultado dessa cultura política não é abstrato: ela mata. Mata simbolicamente, ao destruir políticas públicas, mata socialmente, ao legitimar o ódio e mata concretamente, quando alimenta discursos que naturalizam a violência contra mulheres, crianças e minorias.


Enquanto a “ala das ervilhas” posa de guardiã da família tradicional, dados de órgãos públicos e pesquisas acadêmicas mostram um crescimento alarmante de denúncias de violência doméstica e sexual, inclusive em espaços religiosos.


Igrejas, que deveriam ser refúgios, aparecem em relatórios e investigações como locais onde crianças e mulheres foram silenciadas, violentadas e culpabilizadas. O moralismo bolsonarista grita contra livros, professores e políticas educacionais, mas cala diante do abuso real, cotidiano e estrutural.


Esse é o paradoxo grotesco: a família é defendida como slogan, mas abandonada como realidade social. O discurso conservador se indigna com a presença de Lula em uma escola, mas não se indigna com a criança estuprada, com a mulher espancada, com o professor precarizado, com a fome que atravessa os lares brasileiros.


A ervilha pensa pequeno, porque pensar grande exigiria empatia, ciência e política pública — tudo o que o bolsonarismo despreza.


Lula, ao visitar uma escola pública, encarna exatamente o oposto dessa mentalidade: a política como ferramenta de transformação, a educação como direito, o Estado como garantidor de dignidade. Sua trajetória, de retirante nordestino a presidente é, em si, uma afronta ao projeto elitista e autoritário que sempre quis manter o povo no lugar do silêncio.


O incômodo não é com Lula. É com a possibilidade de o filho da trabalhadora, da doméstica, do operário, do evangélico pobre, ocupar espaços que sempre foram negados.


A escola pública, para a elite moralista, deve ser domesticada, neutra, "despolitizada", ou seja, obediente à ordem vigente.


Mas educação nunca foi neutra. E a política nunca foi opcional. A diferença é que, enquanto o bolsonarismo opera com um cérebro-ervilha, (assim como a inabalável família tradicional) treinado para repetir slogans e disseminar medo, Lula continua sendo a lembrança viva de que a política pode, sim, servir ao povo.


E isso, para a "ervilha", é intolerável.



* Mônica Braga é jornalista

 
 
 

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