top of page

A atualidade da obra de Chico Buarque no cenário político contemporâneo

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • 16 de jan.
  • 2 min de leitura

Foto: Reprodução internet


Em meio a um cenário político marcado por polarizações, disputas narrativas e recorrentes tensões institucionais, a obra de Chico Buarque mantém-se surpreendentemente atual, um marco atemporal.


Mais do que um compositor consagrado da música popular brasileira, Chico é um cronista sensível do poder, da opressão, da resistência e das contradições sociais — temas que continuam a atravessar o Brasil de hoje.


Durante a ditadura militar, suas canções funcionaram como instrumentos de denúncia e sobrevivência simbólica. Letras como “Apesar de Você”, “Cálice” e “Acorda Amor” driblaram a censura e se tornaram hinos de contestação.


Décadas depois, essas músicas voltam a circular com força no debate público, reaparecendo em manifestações, redes sociais e análises políticas, como se tivessem sido compostas para o presente.


Chico Buarque, o Atemporal


A permanência de Chico Buarque no debate político não se dá apenas pelo passado. Suas obras mais recentes — na música e na literatura — continuam a lançar um olhar crítico sobre desigualdade, autoritarismo, hipocrisia moral e violência estrutural.


Personagens marginalizados, mulheres silenciadas, o peso do Estado sobre o indivíduo e a fragilidade da democracia são temas recorrentes que dialogam diretamente com o Brasil contemporâneo.


Além disso, Chico nunca se esquivou do posicionamento político. Declaradamente de esquerda, alinhado a ideias progressistas e à defesa da democracia, tornou-se alvo constante de ataques em períodos de radicalização ideológica.


Paradoxalmente, essa hostilidade apenas reforça a relevância de sua obra: quando a arte incomoda, é porque ainda cumpre sua função social.


Num tempo em que discursos simplificados ganham espaço e a memória histórica é frequentemente ameaçada, Chico Buarque representa a sofisticação do pensamento crítico aliado à sensibilidade artística. Sua obra lembra que a política não se faz apenas nos palanques ou nos parlamentos, mas também na cultura, na linguagem e na capacidade de imaginar um país mais justo.


Assim, ouvir e reler Chico Buarque hoje é mais do que um exercício de nostalgia: é um gesto de reflexão e resistência.


Sua arte permanece como espelho incômodo do Brasil — ontem, hoje e, ao que tudo indica, ainda por muito tempo.


Mônica Braga

Jornalista



Mônica Braga atua no jornalismo com foco, também, em política, cultura e direitos sociais, desenvolvendo análises críticas sobre o cenário brasileiro entre outros, com atenção especial à relação entre arte, poder e democracia.


* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.

 
 
 

Comentários


bottom of page