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Violência Política Através de Notícias Falsas: Uma Nova Face da Criminalização da Pobreza e de Lideranças Comunitárias nas Favelas

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Arte original por Rodrigo Cândido


Um dos casos mais recentes aconteceu com o ativista e defensor de direitos humanos Raull Santiago, integrante do Coletivo Papo Reto e do Movimentos, morador do Complexo do Alemão, localizado na Zona Norte do Rio. Ele foi vítima de diversas notícias falsas que começaram a circular no dia em que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva visitou o Complexo do Alemão e que continuaram na cerimônia de posse do presidente em Brasília.


“Eu estava no jantar no Palácio do Itamaraty e havia vários ministros, pessoas famosas, gente de vários lugares do mundo, dentre eles o ministro do Supremo Tribunal Federal [STF] Alexandre de Moraes. Eu junto ao Rene Silva e o Preto Zezé da CUFA, tiramos uma selfie com o ministro. Aí postei no meu status no feed do Instagram e, automaticamente, essa foto viralizou com os dizeres de que o Alexandre de Moraes havia tirado fotos com lideranças do PCC [Primeiro Comando da Capital] durante o jantar oferecido na posse.” — Raull Santiago


A mentira disseminada associava os premiados mobilizadores comunitárias de favela, dois cariocas e um cereanse, (re)conhecidos mundo afora por sua dedicação ao fortalecimento e melhoramento de seus territórios—e todos homens negros—ao crime de tráfico de drogas em São Paulo. Antes, crias e moradores de favelas e periferias eram vítimas da criminalização da pobreza a partir da versão policial apresentada em delegacias, autos de processos judiciais e em reportagens da mídia tradicional. Agora, no Brasil hiperconectado pelas mídias sociais, eles também são alvo de desinformações criminalizantes, produzidas estrategicamente para “matar” reputações, como um tiro de fuzil em forma de notícias falsas.


Um cenário de generalização online da criminalização da pobreza e de outros preconceitos e estigmas cada vez mais influenciam a sociedade brasileira. De acordo com uma pesquisa realizada pela agência de marketing digital Sortlist, em média, contando com horário online tanto trabalhando quanto no lazer, o brasileiro gasta 10 horas e 8 minutos por dia navegando na internet, o equivalente a 154 dias por ano. O relatório Digital 2022 reforça a presença dos brasileiros online, ao mostrar que há cerca de 171,5 milhões de usuários de redes sociais no Brasil. Os dados, coletados em janeiro de 2022, revelam que 79,9% da população brasileira utiliza alguma rede social no seu dia a dia.


 
 
 

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