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Tarifas dos EUA: novo cenário reforça importância da logística marítima para a competitividade brasileira

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    Jornal Esporte e Saúde
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Especialista afirma que cenário reforça necessidade de planejamento e maior resiliência da cadeia de suprimentos para preservar a competitividade brasileira


Foto: Divulgação



As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras ampliam um cenário de incerteza para a economia global e colocam o comércio internacional diante de uma nova etapa de reorganização. Os efeitos dessas medidas ultrapassam a relação bilateral entre países e alcançam cadeias produtivas, investimentos, transporte marítimo, portos e estratégias empresariais em diferentes regiões do mundo.


Na última sexta-feira (24 de julho), uma nova taxa de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA entrou em vigor, somando-se à taxa adicional de 25% oficializada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no mesmo mês de julho. As tarifas resultam em uma alíquota total de 37,5% sobre cerca de 3 mil itens, segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), que correspondem a US$12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA.


Entretanto, produtos importantes para a economia americana ficam isentos, tais quais o petróleo, café e carne bovina. Embora os impactos variem de acordo com cada segmento exportador, especialistas avaliam que mudanças nas políticas comerciais tendem a reorganizar fluxos logísticos, alterar rotas, influenciar custos de transporte, prazos de entrega e estratégias de abastecimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que o Brasil continua demonstrando capacidade de resistência mesmo em meio às turbulências do cenário internacional, ao reorganizar fluxos comerciais e favorecer fornecedores alternativos, possibilitando novas oportunidades e vantagens competitivas.


A capacidade do Brasil de aproveitar essas oportunidades dependerá da eficiência logística e da infraestrutura de comércio exterior. O país possui uma base portuária estratégica, responsável pelo escoamento da maior parte das exportações nacionais. Dados divulgados pelo setor portuário brasileiro mostram que os portos do país movimentaram 1,32 bilhão de toneladas de cargas em 2024, o maior volume da série histórica, evidenciando o papel central da infraestrutura marítima para a economia nacional.


Foto: Divulgação


Indústria marítima acompanha a transformação dos fluxos globais


O transporte marítimo é um dos principais canais de transmissão dos efeitos das mudanças comerciais. De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), 95% do volume do comércio mundial de mercadorias é transportado por via marítima, tornando portos, navios e serviços logísticos elementos estratégicos da economia global.


Para o CEO da Maritime Ship Service, Thiago Nascimento, as alterações nas relações comerciais provocadas por tarifas podem levar armadores a ajustar rotas, capacidade de transporte e escalas portuárias, enquanto empresas passam a buscar cadeias de suprimentos mais diversificadas e resilientes.


"Quando há mudanças importantes nas relações comerciais entre grandes economias, toda a cadeia logística sente seus efeitos. A resposta deve ser o fortalecimento das atividades da economia azul, incluindo transporte marítimo, infraestrutura portuária, energia e serviços logísticos. Isso pode ampliar a competitividade brasileira e reduzir vulnerabilidades externas”, defende.


Empresas flexíveis são empresas competitivas


A resposta ao novo cenário comercial exige investimentos em competitividade. A diversificação de mercados reduz a dependência da economia brasileira em relação ao comércio com um país específico, e aumenta a capacidade de adaptação das empresas nacionais.


Para empresas da cadeia marítima brasileira, especialmente diante da expansão da atividade portuária e dos investimentos previstos para o setor de óleo e gás offshore, esse cenário exige operações cada vez mais integradas, resilientes e preparadas para responder rapidamente às oscilações do mercado internacional. Investimentos em portos, ferrovias, integração multimodal e digitalização de processos podem reduzir custos e melhorar a posição do Brasil no comércio global.


"Independente das decisões comerciais adotadas pelos países, a tendência é que a infraestrutura, a qualificação de pessoas e a qualidade dos processos sejam cada vez mais decisivos para garantir previsibilidade, eficiência e continuidade operacional. Quanto mais preparado estiver o setor para responder a mudanças, maior será a capacidade de manter o Brasil competitivo no comércio internacional", aponta Thiago Nascimento.


As tarifas norte-americanas representam um desafio para a economia global, mas também podem criar oportunidades para países capazes de oferecer escala, confiabilidade e eficiência. Para o Brasil, o fortalecimento da economia azul e da infraestrutura marítima será decisivo para transformar mudanças no comércio mundial em novas oportunidades de crescimento e inserção internacional.


Texto: Jornalista Carla Cardoso / assessora de imprensa.




 
 
 

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