Se Jesus batesse à nossa porta
- Jornal Esporte e Saúde

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Jesus Sem-Teto ou Homeless Jesus, do artista Canadense Timothi Schmaiz
Foto: Divlgação / Reprodução internet
Chega a Páscoa e celebramos a morte e a ressurreição de Cristo entre ovos de chocolate, cultos lotados e discursos solenes.
Mas quase nunca lembramos quem era, de fato, aquele homem que dizem celebrar.
Jesus não era um príncipe de templo. Era um andarilho. Um sujeito maltrapilho, poeira nos pés, dormindo onde dava. Andava entre pescadores, leprosos, prostitutas, pobres e rejeitados.
Não tinha cargo, não tinha patrimônio, não tinha respeitabilidade social. Tinha apenas um coração obstinado em fazer o bem e um discurso perigoso: o de que todos eram iguais diante da vida.
Sentava para beber vinho com quem carregava dor. Não para celebrar luxo, mas para aliviar a existência, a dele e a dos outros.
Falava com mulheres desprezadas, tocava os intocáveis, defendia os humilhados. Era, aos olhos da moral dominante de seu tempo, um escândalo ambulante.
Foi por isso que o mataram!!!!
Hoje dizemos que o seguimos. Mas se esse mesmo homem, sujo de estrada, barba desalinhada, olhar cansado e fala mansa, batesse à nossa porta, quantos o deixariam entrar?
Provavelmente o chamaríamos de vagabundo. De bêbado. De subversivo. Diríamos que está “defendendo bandido”, “misturado com gente errada”, “ameaçando a ordem”.
E então faríamos com ele o que sempre se faz com quem insiste em denunciar injustiças: julgamento, perseguição, violência.
Crucificaríamos de novo.
Porque o que mais incomoda em Jesus nunca foi sua morte.
É o que ele defendia em vida: um mundo onde os últimos importam.
E esse sonho, ainda hoje, continua sendo tratado como crime!!!!
A obra é uma provocação direta a uma citação bíblica:
"Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."
* Mônica Braga / Jornalista, Professora e Poeta



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