Professores das Escolas Firjan SESI utilizam IA em sala de aula para educação midiática e suporte pedagógico
- Jornal Esporte e Saúde

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Professores e alunos constroem jornais e estudam a diferença de respostas de diferentes ferramentas de IA; pesquisa revela impacto positivo da IA no ensino

Foto: Divulgação
Criação de jornais, de seres mitológicos da era moderna e checagem de fontes de informação – e de textos escritos por humanos – são alguns dos usos de Inteligência Artificial que vêm sendo empreendidos por professores das escolas Firjan SESI. A iniciativa dos docentes surge diante do fato de que apenas 33% dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs, ao passo que 37% deles utilizam com frequência, segundo a pesquisa TIC Educação 2024. Por isso e para estimular o uso consciente das ferramentas, a Firjan SESI escolheu a IA nas artes como tema da edição 2026 do Prêmio Rio de Letras, que está com inscrições abertas até 17 de julho.
Na Escola Firjan SESI Friburgo, o professor de Ciências, Matheus Darrieux, fez com os alunos uma investigação científica sobre as mudanças climáticas, mostrando os riscos de se confiar nas informações de plataformas de IA. A atividade contribuiu para o processo de educação midiática e combate às fake news. “Os estudantes concluíram que vícios durante o processo de aprendizado de máquina impactam, por exemplo, na forma com que os modelos de linguagem selecionam informações e respostas. Por exemplo: a IA chinesa DeepSeek não comenta de forma assertiva os protestos na praça da paz celestial na China, em 1989, enquanto o Grok, do multimilionário Elon Musk, ligado a movimentos conservadores, defende um ponto de vista controverso em relação à luta por direitos civis nos anos 50 nos EUA”, contou.
Seres mitológicos modernos
Já Bianca do Almo, professora de Arte Maker da mesma unidade, fez com os alunos uma pesquisa sobre diferentes mitologias que desencadearam no projeto “Deuses da Era Digital: uma atualização divina”. Assim, eles criaram personagens, símbolos, funções e estética de seres mitológicos modernos, à moda do livro “Deuses americanos”, clássico do escritor Neil Gaiman. Os jovens também fizeram uma releitura da música “Eduardo e Mônica”, de Legião Urbana, analisando a estrutura dos versos, elementos estéticos e contexto cultural para transpor a narrativa para o período do Renascimento, e reescrevê-la em linguagem inspirada no estilo shakespeariano.
“O uso da IA em sala de aula tem se revelado uma estratégia potente para o desenvolvimento da criatividade, da autonomia e do pensamento crítico. Quando orientada de forma ética e consciente, a IA deixa de ser um recurso mecânico e passa a atuar como uma ferramenta de ampliação das possibilidades de aprendizagem, contribuindo para a formação de sujeitos mais críticos, criativos e preparados para os desafios contemporâneos”, explica a professora.
Identificação de textos de IA
Na Escola Firjan SESI Petrópolis, a professora de Português, Catharina Deister, criou imagens dos personagens do clássico “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, para estimular a leitura e inspirar a produção de um relatório sobre o livro. A professora também vem privilegiando a produção ao vivo e “analógica” de textos, depois de identificar estilos e linguagens não condizentes com o nível de entendimento de alguns alunos. “Foi então a oportunidade para a gente orientar a usarem de maneira inteligente: para auxiliar na pesquisa e para organizar pensamentos”, conta.
Já a professora de Inglês, Vanessa Curti, da Escola Firjan SESI Maracanã, vem usando a IA para o planejamento de aulas e na criação de materiais diferenciados. “A gente incentiva o uso consciente e crítico dessas tecnologias, reforçando a ideia de autenticidade e criticidade, assim como o uso ético, sem plágio ou substituição do pensamento crítico. O objetivo é que os estudantes compreendam a IA como um copiloto no processo de aprendizagem, um recurso de apoio à pesquisa, à organização de ideias e à revisão, e não como um substituto de sua própria voz e produção intelectual”, disse.
Governo Federal elabora diretriz nacional
Segundo a pesquisa da Teachy, maior plataforma de inteligência artificial pedagógica do mundo, a IA na educação está gerando resultados positivos: o engajamento avançou 86% e as notas dos alunos subiram de 77% para 81% em um ano.
Em março, o Ministério da Educação lançou um documento para orientar o uso de IA na sala de aula: no ensino fundamental, o foco é no letramento em IA de modo lúdico e gradual, enquanto no ensino médio deve-se aprofundar o letramento com discussões de impacto social, ético e econômico – exatamente como vêm fazendo os professores das escolas Firjan SESI. Atualmente, o Conselho Nacional de Educação discute a construção de diretrizes nacionais para regulamentar o uso de IA nas escolas do país.
Concurso literário sobre IA
Para estimular ainda mais a conscientização dos jovens, a Firjan SESI lançou como tema da edição deste ano do Prêmio Rio de Letras a relação entre a Inteligência Artificial e a criatividade humana. A premiação, que conta com a curadoria da Academia Brasileira de Letras (ABL) e a parceria da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), tem como objetivo fazer os jovens refletirem sobre o mundo e manter a literatura viva. Os próprios membros da ABL vão escolher 54 trabalhos entre os primeiros, segundos e terceiros lugares de cada categoria – Crônica, Conto e Poesia – a estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do Ensino Médio, de acordo com a rede escolar (Firjan SESI e rede estadual).
* Felipe Sales / Assessor de Imprensa e Conteúdo / Gerência de Imprensa e Conteúdo (GIM)



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