Por que o lazer não é luxo, mas peça-chave para saúde e cidadania
- Jornal Esporte e Saúde

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No Dia Mundial do Lazer, especialista defende que tempo livre vai além do descanso e expõe desigualdades de acesso no Brasil e no mundo

Especialista explica que lazer é fundamentalmente ligado à livre escolha, não podendo ser obrigação / Foto: Divulgação
Em um cotidiano marcado por rotinas aceleradas, telas e jornadas de trabalho intensas, o lazer ainda costuma ser tratado como um luxo e não como uma necessidade. A criação do Dia Mundial do Lazer, celebrado neste 16 de abril, surge justamente para inverter essa lógica: destacar o papel do lazer como elemento essencial para a qualidade de vida, o desenvolvimento social e o bem-estar.
Promovida pela World Leisure Organization (WLO), a data no Brasil terá participação inédita do pesquisador sul-africano Mackaya Malema, doutor em Ciências do Esporte, Recreação e Exercício e professor da Universidade do Cabo Ocidental. Ele participa do simpósio "Viver o Lazer: Direitos, Espaços e Cidadania", no Sesc São José dos Campos, e, em entrevista ao Terra, defende uma mudança de perspectiva.
"O lazer está relacionado ao entretenimento, a uma atividade escolhida livremente e à motivação para continuar participando", explica.
Segundo Malema, o conceito vai além de uma prática específica. "E isso pode ser vivenciado de diferentes formas: o lazer pode ser percebido como um estado de espírito, uma experiência ou uma atividade", afirma. No centro dessa definição está a liberdade de escolha -- longe de ser obrigação: "o elemento principal continua sendo a atividade escolhida livremente, que oferece a oportunidade de um envolvimento significativo em atividades leves, em atividades que promovem relaxamento e renovação de energia e, mais importante, estar em repouso para que você possa recuperar suas energias".
Essa liberdade também se reflete nas formas de lazer. Para o pesquisador, não há um modelo único, e a divisão entre atividades ativas e passivas ajuda a entender a variedade.
"Por lazer ativo, podemos incluir, mas não se limitar a, esportes, atividade física e exercícios. Já no lazer passivo, podemos incluir a leitura de livros e assistir a filmes".
O impacto na saúde
Se o lazer é muitas vezes negligenciado, suas ausências são sentidas de forma concreta. Malema chama atenção para os efeitos em cadeia provocados pela falta de tempo livre.
"Acho que, se olharmos para as consequências de não participar de atividades de lazer, isso se torna muito prejudicial para a saúde e o bem-estar geral de uma pessoa", afirma. Ele exemplifica com a rotina de trabalho contínua: "Vou dar o exemplo de um funcionário que trabalha oito horas por dia durante sete dias, sem tempo para lazer ou descanso. O nível de produtividade dele fica comprometido, como ele vai renovar suas energias para o trabalho no dia seguinte?"
"Além disso, e de forma muito importante, a ausência dessa sensação de lazer e da participação em atividades de lazer também compromete a vida social. Os estados pessoais e mentais também podem ser afetados".
https://www.terra.com.br/ Por: Maria Luiza Valeriano



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