Por que mulheres e homens votam cada vez mais diferente — e como isso pode definir eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro
- Jornal Esporte e Saúde

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EVARISTO SA/AFP via Getty Images
"Está na mão das mulheres, em certa medida, a reeleição do Lula. Se o Flávio [Bolsonaro] consegue quebrar essa rejeição que tem entre as mulheres, aí é um passo para vencer as eleições", analisa o cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getúlio Vargas.
A afirmação dá a dimensão da importância que o voto feminino ganhou no Brasil, desde que as brasileiras começaram a se distanciar cada vez mais da crescente preferência masculina pela direita e a apoiar, majoritariamente, candidatos à esquerda.
Hoje, um dos motivos que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais é a ampla vantagem que tem entre as eleitoras.
A resposta de radicais a esse fosso que se abriu nas preferências de gênero foi um aumento dos ataques ao voto feminino.
No YouTube, TikTok e Instagram, é possível encontrar "cortes" (trechos curtos de uma entrevista, geralmente de tom bombástico) em que participantes de podcasts dizem frases como "o voto feminino é o erro da democracia ocidental" ou "é muito fácil convencer a mulher de votar, é só você seduzi-la".
Autor de O país dividido, em que analisa as disputas presidenciais das duas últimas décadas, Jairo Nicolau nota que o fenômeno do gap de gênero, quando aumenta a diferença entre os votos de homens e mulheres, ganhou força no Brasil a partir de 2018 e se intensificou em 2022 e 2026.
Antes disso, não é que mulheres e homens votassem de forma idêntica, mas o fosso entre eles não era tão grande, ressalta.
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