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Pai mata filhos em Goiás: crime expõe cultura de violência e permissividade contra mulheres e crianças

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Foto: Reprodução internet


Por Mônica Braga


A tragédia ocorrida em Goiás, onde um pai assassinou os próprios filhos e tirou a própria vida, não pode ser tratada como um episódio de “surto”, “ciúme” ou “crise emocional”. Trata-se de um crime brutal, um ato de violência extrema que tem raízes profundas em uma cultura que naturaliza o controle masculino sobre mulheres e crianças.


As vítimas são duas crianças, privadas do direito mais básico: o de viver. A mulher, mãe dos meninos, também é vítima direta dessa violência, que muitas vezes começa com controle psicológico, posse, ameaças e termina em feminicídio, filicídio ou tragédias familiares irreversíveis.


Segundo informações da polícia, o homem matou os filhos dentro da própria casa, em um ato premeditado, e depois tirou a própria vida. O contexto apontado envolve conflitos conjugais, com suspeita de traição — argumento que, historicamente, tem sido usado para justificar agressões contra mulheres e crimes cometidos por homens que se consideram donos da família.


O caso expõe a face mais cruel de uma mentalidade patriarcal que transforma a mulher em objeto de posse e os filhos em extensão desse controle. Quando esse controle é ameaçado, a violência aparece como instrumento de punição.


Especialistas em direitos humanos alertam que crimes desse tipo não surgem do nada. Eles estão ligados a uma estrutura social que relativiza a violência masculina, romantiza o ciúme e questiona a conduta da mulher enquanto silencia a barbárie do agressor.


A tragédia de Goiás não é apenas um caso policial. É um retrato de uma sociedade que ainda tolera discursos que justificam o controle sobre o corpo, a vida e as decisões das mulheres, e que muitas vezes só se indigna depois que crianças estão mortas.


Enquanto a violência doméstica continuar sendo tratada como problema privado e não como crime estrutural, novas tragédias seguirão acontecendo.


A memória dessas crianças exige mais do que luto: exige responsabilização, mudança cultural e políticas públicas efetivas de proteção às mulheres e à infância.


“Uma sociedade que acredita que traição conjugal é mais grave e pior que tirar a vida dos próprios filhos seguirá violentando mulheres e crianças e desculpando homens.”


* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.

 
 
 
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