O escândalo da existência de tantos moradores de rua no Brasil
- Jornal Esporte e Saúde

- há 1 dia
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Nenhuma sociedade civilizada pode aceitar como normal a situação que existe no país. Iniciativa do governo Lula é um bem-vindo começo para acabar com esse escândalo.Moradores de rua fazem parte do cotidiano de qualquer cidade brasileira. Estamos acostumados à sua presença, num misto de empatia pela situação deles, de um certo medo dessas figuras de aparência desleixada e de alívio por não estar nessa situação.

Foto: DW / Deutsche Welle
No Rio de Janeiro, todos os dias vejo dezenas de moradores de rua no bairro da Glória. Eles me pedem para comprar um salgadinho na padaria, vendem toda sorte de coisas expostas no chão ou estão simplesmente por ali, deitados, apáticos.
As causas do problema
O morador de rua típico tem 41 anos e é homem. Quase 70% são negros - o que não surpreende num país em que os escravos, uma vez libertos, nunca receberam qualquer capital inicial (uma indenização!), educação ou oportunidades no mercado de trabalho, o que cimentou a situação dos negros no país ao longo de gerações.
O Ipea lista os motivos pelos quais as pessoas acreditam terem chegado à situação de rua. Entre os motivos mais mencionados estão os problemas familiares, o desemprego e o abuso de drogas. Os moradores de rua falam sobre a fragilização ou ruptura de vínculos familiares, a falta de trabalho e o alcoolismo, mas também sobre a perda de moradia, ameaças e violência. Só 3% disseram ter abandonado suas casas por vontade própria.
Que pessoas parem na rua por motivos como esses é um escândalo. A vida nas ruas tira delas, já emocionalmente arrasadas, os últimos resquícios de autoestima e estrutura. Eles se tornam invisíveis, como explicou o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, a capital brasileira dos sem-teto.







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