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Mulheres que transformam

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Kátia Regis, coordenadora-geral de Justiça Racial e Combate ao Racismo


Arte de Tábata Matheus sobre foto de Thaylyson Santos


Hoje, 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, finalizamos a 8ª Edição do Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul, em Santo Domingo, na República Dominicana.


Um aspecto fundamental do programa é o enfoque na paridade de gênero, garantida pelo artigo 9º da Portaria Interministerial nº 233, que institui o Caminhos Amefricanos


O Programa objetiva contribuir com a promoção da igualdade racial por meio de intercâmbios de curta duração no exterior, particularmente, em países africanos, latino-americanos e caribenhos, fortalecendo a implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana. 


A comprovação da efetividade do Caminhos Amefricanos vem a partir dos relatos dos intercambistas sobre os impactos em suas trajetórias profissionais e de como a experiência repercute profundamente nas suas trajetórias de vida, suas famílias e seus territórios, uma vez que ele amplia o direito da população negra de vivenciar experiências formativas por meio de intercâmbios internacionais.  


Durante meu acompanhamento do programa, escutei relatos contundentes das intercambistas: ser a primeira mulher da família ou território a realizar um intercâmbio internacional; a grande emoção de receber o primeiro passaporte; o trançar os cabelos para ir ao intercâmbio; a família reunida no aeroporto e, entre lágrimas, intensa alegria e orgulho, registrar todos os momentos do embarque da intercambista; de como sentem-se fortes ao chegarem nos intercâmbios com uma comitiva formada por pessoas negras e, em sua maioria, mulheres negras.  


Enquanto mulher negra e professora, identifico-me imediatamente com cada depoimento, me levando a crer ainda mais na efetividade do programa porque sei o quanto esse impacto é real: tive oportunidade de realizar um intercâmbio em Moçambique para minha primeira pesquisa de pós-doutorado, em 2014, e essa vivência ampliou minha compreensão sobre as diferentes formas de ser e de estar no mundo. Ainda hoje sinto a forte emoção de quando pisei primeira vez em solo de um país africano, o que me fortaleceu para questionar permanentemente as visões preconceituosas e estereotipadas em relação aos africanos e, em decorrência, sobre nós, afrodescendentes na diáspora africana e para interrogar incisivamente os currículos escolares fortemente eurocentrados. 


Todas as outras vivências que tive em diferentes países africanos, latino-americanos e caribenhos, ampliaram os meus conhecimentos e fortaleceram a convicção de que é possível contarmos nossas próprias histórias para avançarmos coletivamente na construção de sociedades que garantam os nossos direitos historicamente negados e denunciarmos sistematicamente os processos de desumanização que atingem, particularmente nós, mulheres negras.  


E o Caminhos Amefricanos está possibilitando ampliar os horizontes e mudar concretamente vidas, famílias, territórios e instituições educacionais. O Programa traz à tona a força de nossa luta, especialmente a das mulheres, que ultrapassa quaisquer fronteiras.  


Finalizo destacando um princípio Ubuntu, que se relaciona ao processo que estamos experienciando no Programa: “Se você quer ir rápido, vá sozinho, vá sozinha. Mas, se você quer ir longe, vá acompanhado, vá acompanhada”. 


Vá acompanhada para Moçambique, para Colômbia, para Cabo Verde, para o Peru, para Angola, para República Dominicana!  


Juntas somos mais fortes e estamos transformando a realidade! 


*Kátia Regis é doutora em educação, coordenadora-geral de Justiça Racial e Combate ao Racismo do MIR e docente da Universidade Federal do Maranhão. 


* https://www.gov.br/igualdaderacial/Educação e Pesquisa

 
 
 

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