Ministério da Saúde inicia tratamento inédito para malária em crianças
- Jornal Esporte e Saúde

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Público infantil responde por cerca de 50% dos casos da doença no país. O primeiro lote da tafenoquina pediátrica é destinado a territórios indígenas, com início da distribuição no território Yanomami

Foto: Fábio Miranda/MS
O Ministério da Saúde iniciou tratamento inovador contra a malária para crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a medida, o Brasil torna-se o primeiro país do mundo a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. Até então, desde 2024, o medicamento era ofertado apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos.
Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, com investimento de R$ 970 mil, para ampliar o controle da doença em todo o território nacional. A entrega do medicamento iniciou nessa segunda-feira (2) e está ocorrendo de forma gradual, com foco em áreas prioritárias na região Amazônica.
O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, ressaltou que a Pasta tem investido fortemente para garantir que medicamentos mais eficazes e de uso mais simples cheguem a quem precisa. “Hoje realizamos um treinamento de profissionais de saúde que atuam no DSEI Leste e vamos ampliar para sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas em todo o país. Esse é mais um exemplo da potência do Sistema Único de Saúde ao incorporar um medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência sanitária”, disse.
O ministério da saúde já recebeu 64.800 que serão distribuídos em áreas de maior incidência como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Estes territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. O primeiro a ser contemplado será o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos.
Em 2024, o Território Yanomami foi a primeira região do Brasil a receber a tafenoquina 150mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos, como parte de uma estratégia inovadora de aprimoramento do tratamento nas regiões mais afetadas.
Com a incorporação da tafenoquina pediátrica, o Brasil se posiciona na vanguarda do combate à malária e segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida busca melhorar o cuidado e fortalecer o enfrentamento da doença em regiões remotas, ampliando o alcance do SUS.
Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, é importante esse medicamento chegar aos territórios indígenas. “À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades. Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença. Se não há um medicamento como a tafenoquina para crianças e não há um teste rápido que facilite o diagnóstico precoce, ficamos sem ferramentas eficazes para enfrentar o problema. Por isso, levar essas tecnologias para as áreas mais afetadas pela malária, onde elas podem gerar maior impacto, é uma obrigação nossa”, explicou.
* Leidiane Souza, Vicente Ramos e Rafael Ely / Saúde e Vigilância Sanitária /
Ministério da Saúde



Comentários