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Laura Cardoso: quando uma atriz parte, mas a arte se recusa a morrer

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • há 5 minutos
  • 2 min de leitura

Foto: Reprodução internet


Por Mônica Braga


Há artistas que passam pela televisão. E há artistas que passam pela nossa vida. Laura Cardoso foi dessas raras.


Morreu aos 98 anos, depois de mais de oito décadas dedicadas à dramaturgia, deixando uma trajetória que atravessou rádio, teatro, cinema e televisão e ajudou a construir a própria história da arte brasileira.



Foto: Reprodução internet


Mas falar de Laura apenas pelos números seria pouco.


Porque Laura não era somente uma atriz de tantos personagens. Era presença. Era verdade. Era aquela capacidade quase inexplicável de entrar em uma cena e fazer o personagem deixar de ser personagem.


Foto: Reprodução internet


Laura Cardoso tinha o que não se aprende em escola, oficina ou manual: alma de artista.


Num tempo em que tanta coisa parece descartável, ela nos lembra que talento de verdade não envelhece. Ao contrário: amadurece, ganha silêncio, profundidade e memória.


Sua carreira atravessou gerações. Foi televisão quando a televisão ainda começava a descobrir o Brasil. Foi teatro, cinema, rádio. Foi Dona Guiomar, Isaura, Mariquita, Dorotéia, tantas mulheres que, pelas mãos dela, ganharam humanidade. Seu currículo reúne mais de uma centena de trabalhos e dezenas de novelas.


E talvez seja justamente isso que mais nos falte hoje: artistas que não precisem gritar para serem gigantes.


Laura fazia arte.


Não precisava de espetáculo fora da cena.


A cena bastava.


Sua partida não apaga sua presença. Porque alguns artistas não morrem quando o coração para. Permanecem nas reprises, nas lembranças, nos personagens, nas falas, nos olhos de quem aprendeu a admirar a arte através deles.


Laura Cardoso se despede.


Mas a MULHER fica.


Fica na história da dramaturgia brasileira.

Fica na memória de quem a assistiu.

Fica na cultura de um país que, como ela mesma afirmou, “sem cultura morre. Não vive.”


Hoje, o Brasil perde uma de suas grandes damas.


E nós ganhamos a responsabilidade de não deixar sua história ser apenas lembrança.


Laura Cardoso foi cultura brasileira em estado de arte.


* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.



 
 
 

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