Hepatites virais exigem diferentes formas de prevenção e cuidado

Vacinação, testagem e tratamento estão disponíveis gratuitamente na rede pública, de acordo com cada tipo da doença

Imagem: Kateryna Kon/123RF / Reprodução internet
A prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais variam de acordo com o tipo da infecção. Para orientar a população sobre os cuidados necessários, a campanha “Para cada hepatite, tem um cuidado” reúne informações sobre as hepatites A, B, C e D e os serviços disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinação para os públicos indicados, testagem, acompanhamento e tratamento.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026 mostram também diferenças importantes no perfil das pessoas diagnosticadas. Em 2025, a hepatite A apresentou as maiores taxas entre adultos de 25 a 34 anos. Já nas hepatites B e C, as maiores taxas de detecção se concentraram em faixas etárias mais avançadas, sobretudo entre os homens.
Na hepatite A, as maiores taxas de incidência em 2025 foram registradas entre pessoas de 30 a 34 anos, com 5,2 casos por 100 mil habitantes, e de 25 a 29 anos, com 5,1. Entre os homens, as taxas chegaram a 7,9 e 7,6 casos por 100 mil habitantes nessas faixas, respectivamente.
Para a hepatite B, as maiores taxas de detecção foram registradas entre pessoas de 55 a 59 anos (9,8 casos por 100 mil habitantes), de 50 a 54 anos (9,4) e de 45 a 49 anos (8,7). Entre os homens de 55 a 59 anos, a taxa chegou a 13,1 casos por 100 mil habitantes.
Na hepatite C, a concentração nas faixas etárias mais avançadas é ainda mais evidente. As maiores taxas foram registradas entre homens com 60 anos ou mais (21,1 casos por 100 mil habitantes) e de 55 a 59 anos (21,0). Somente entre pessoas com idade acima de 60 anos, foram confirmados 5.921 casos no país em 2025 — o maior número entre todas as faixas etárias.
Infecções podem permanecer silenciosas por anos
As hepatites virais muitas vezes não apresentam sintomas nas fases iniciais. No caso das hepatites B e C, a infecção pode permanecer silenciosa por longos períodos e evoluir para formas crônicas, aumentando o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
Quando presentes, os sintomas podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômito, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Como esses sinais nem sempre estão presentes, não é preciso esperar o surgimento de sintomas para buscar atendimento.
O diagnóstico é uma etapa importante do cuidado. Os testes rápidos para hepatites B e C são gratuitos e estão disponíveis no SUS. A identificação da infecção permite iniciar o acompanhamento e, quando indicado, o tratamento adequado.
Como se prevenir de cada hepatite viral
A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral. A prevenção envolve medidas como lavar bem as mãos com água e sabão, especialmente depois de usar o banheiro e antes de preparar ou consumir alimentos; higienizar adequadamente os alimentos; consumir água tratada; e adotar medidas de prevenção durante práticas sexuais que envolvam contato oroanal.
A vacinação também é uma importante forma de prevenção. No SUS, a vacina contra a hepatite A integra o Calendário Nacional de Vacinação para crianças, com uma dose aos 15 meses, com possibilidade de administração até 4 anos, 11 meses e 29 dias. O imunizante também está disponível para pessoas a partir de 1 ano que apresentem condições clínicas específicas e para pessoas em uso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP).
Tanto a hepatite B quanto a C são consideradas Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Para a hepatite B, a vacina é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente para toda a população ainda não vacinada, independentemente da idade. Em crianças, o esquema inclui uma dose ao nascer e mais três doses da vacina pentavalente, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses; para adultos que nunca foram vacinados, o esquema completo é de três doses. Essa proteção também previne a hepatite D.
Outras medidas incluem o uso de preservativo, o não compartilhamento de objetos de uso individual, como alicates, lâminas, seringas, agulhas e escovas de dente, além do cuidado para que materiais utilizados em tatuagens, piercings e outros procedimentos sejam descartáveis ou devidamente esterilizados.
* Deborah Novais Saúde e Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde.



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