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Feminicídio: para psicóloga, ignorar pedidos de ajuda é falha do sistema

Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
Jornal Esporte e Saúde
8 de fev.
2 min de leitura

Doutora em saúde mental, Karen Scavacini, explica como funciona ciclo de violência e como ajudar mulheres em vulnerabilidade


Faixa em defesa do direito das mulheres em protesto contra a violência doméstica.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil / Estadão

Quando uma mulher não se torna estatística de feminicídio, acaba como vítima de outros tipos de violência, quase sempre cometidos pelo companheiro. Essa máxima, atravessa a nossa sociedade diariamente, e é preciso preciso apoio para que ela consiga sair dessa relação abusiva, conforme explica a psicóloga e doutora em saúde mental, Karen Scavacini.


Para além do julgamento, quem está em uma situação de violência doméstica enfrenta uma série de questões, que podem envolver dependência psicológica e até financeira, como costuma ser. “Essa mulher acaba ficando mais prisioneira de toda uma situação”, reforça a especialista.


“A gente tem que ter muito cuidado até para essa mulher conseguir ter força para entender que está nessa situação. Para conseguir sair, ela precisa ter apoio, e esse apoio pode vir dessa rede de pessoas mais próximas, pode vir, às vezes, de redes de conversa, de espaços de escuta, como pode vir de um cuidado específico e especializado dentro da área da saúde mental para que pouco a pouco ela possa se entender até como alguém que não merece essa violência.”


Logo, sair desse ciclo não depende somente do querer, é difícil, mas é possível romper. “Não há uma resposta simples para uma situação complexa”, menciona.


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Foto: Reprodução internet


Desigualdade de gênero contribui


Karen explica que essa realidade ocorre com a combinação obviamente perigosa da desigualdade de gênero estrutural, que também é muito cultural no Brasil, com a fragilização da rede de proteção e uma certa falha na resposta das instituições públicas que deveriam proteger a vítima.


“A gente muitas vezes não está falando de episódios que são inesperados, mas de violências, de trajetórias de violência que vão aumentando durante o tempo, vão se acumulando, desde ameaça, de controle, de humilhação e de pedidos de ajuda que muitas vezes não foram acolhidos”, aponta.


Ela também traz para esse cenário a questão de cunho mental, em que essas situações ocorrem em contextos de sofrimento psíquico, tanto nas mulheres como para suas famílias. Estão relacionadas a desregulação emocional, perda de controle, ciúme patológico, dependência afetiva e dificuldade dos homens em lidar com frustrações.


“Eu não estou querendo patologizar a violência e muito menos justificar o agressor, mas é preciso entender que a gente tem uma ausência de cuidado mental muito antiga e isso é aliado a essa desigualdade de gênero histórica. Isso vai ser um terreno fértil para essa escalada de violência”, esclarece.



 
 
 

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