E... Sobre o Dia 23 de Abril do ano de 2026
- Jornal Esporte e Saúde

- há 3 horas
- 2 min de leitura
Salve São Jorge: fé, promessas e devoção que atravessam o Rio de Janeiro

Imagem: Igreja de São Jorge, no centro do Rio de Janeiro / Foto: Reprodução.
No estado do Rio de Janeiro, o dia de São Jorge não é apenas uma data no calendário, é um movimento vivo de fé que ocupa ruas, igrejas, terreiros e corações.
Da capital ao interior, a devoção ao santo guerreiro mistura tradição católica, religiosidade afro-brasileira e identidade popular.
Logo nas primeiras horas do dia, filas se formam na Igreja de São Jorge, um dos principais pontos de peregrinação do estado. Vestidos de vermelho e branco, devotos carregam imagens, acendem velas e pagam promessas, muitas feitas em momentos de dor, doença ou dificuldade financeira.
Mas São Jorge, para além do santo da lança e do dragão, é também Ogum para milhares de fiéis das religiões de matriz africana. Nos terreiros, a reverência ganha atabaques, cantos e oferendas. A fé, aqui, é resistência e ancestralidade.
“São Jorge é quem abre meus caminhos. Não tem tempo ruim quando a gente firma com ele”, diz Dona Elza, 67 anos, moradora de Duque de Caxias, que há mais de três décadas participa das celebrações.
Entre os famosos, a devoção também é marcante. O cantor Zeca Pagodinho, conhecido por sua ligação com a fé e o samba, já declarou em diversas entrevistas sua conexão com o santo guerreiro: “São Jorge é meu guia. É proteção no dia a dia, na vida e na estrada”.
Outro nome que não esconde sua devoção é Diogo Nogueira, que frequentemente presta homenagens em apresentações e redes sociais. “É fé de verdade, daquelas que a gente carrega no peito”, afirmou.
Nas comunidades, a celebração ganha ainda mais força. Fogos de artifício cortam o céu antes mesmo do amanhecer, anunciando que o guerreiro está sendo saudado.
Em bairros como Madureira, Penha e São Gonçalo, a festa mistura fé, cultura e pertencimento.
Apesar do caráter festivo, há também um tom de reflexão. Em tempos de crise social e desigualdade, São Jorge surge como símbolo de luta diária. O dragão, para muitos, não é apenas mitológico, representa o desemprego, a violência, a fome e as batalhas invisíveis enfrentadas pela população.
A devoção a São Jorge no Rio de Janeiro não é homogênea, mas é profundamente enraizada. Ela se reinventa a cada ano, atravessa gerações e mantém viva uma espiritualidade que não se limita a templos, ela caminha nas ruas, nas histórias e na resistência do povo.
Porque, no Rio, fé não é silêncio.
É espada erguida.
É luta cotidiana.
É grito coletivo: salve o guerreiro!!!
* Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.



Comentários