Da invisibilidade à viralização, debate no Rio2C questiona quem define o que ganha espaço na internet
- Jornal Esporte e Saúde

- há 10 horas
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Especialistas discutiram os efeitos dos algoritmos sobre artistas, conteúdos culturais e acesso à informação, além dos desafios para ampliar a diversidade cultural no ambiente digital

Foto: Felipe Torres
Da música que chega ao topo das plataformas aos conteúdos que permanecem invisíveis, algoritmos têm desempenhado papel cada vez mais decisivo na forma como a cultura circula no ambiente digital. O tema esteve no centro do debate “Algoritmos, Cultura e Interesse Público: Quem Decide o que Circula?”, realizado nesta sexta-feira (29), no palco MinC Conecta do Rio2C. Pesquisadores e representantes do Governo do Brasil discutiram os impactos dessas ferramentas sobre a diversidade cultural, a produção artística, a circulação de conteúdos e o acesso à informação.
Mediada pela chefe da assessoria especial de Comunicação Social do Ministério da Cultura, Gabriella Gualberto, a mesa reuniu o coordenador de pesquisa da Desvelar, Tarcízio Silva, a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito Rio), Yasmin Curzi, e a secretária-adjunta da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Nina Santos. Ao longo de uma hora de conversa, os convidados analisaram como plataformas digitais, sistemas de recomendação e ferramentas de inteligência artificial vêm influenciando o acesso à informação, a visibilidade de artistas e a circulação de conteúdos culturais.
Logo no início do debate, o coordenador de pesquisa da Desvelar, Tarcízio Silva, chamou atenção para a concentração de poder nas mãos de poucas empresas de tecnologia e para a influência que elas exercem sobre a forma como conteúdos culturais chegam ao público.
Na avaliação do pesquisador, a falta de transparência impede que a sociedade compreenda de que maneira essas plataformas definem prioridades e distribuem visibilidade.
“Hoje temos plataformas que se comportam não apenas como distribuidoras de conteúdo, mas também como agentes que estabelecem prioridades. O problema é que, pela falta de transparência, raramente sabemos o quanto dessas decisões é intencional e o quanto decorre de negligência”, afirmou.
Tarcízio também apresentou resultados de um estudo realizado para o Instituto Alana sobre inteligência artificial e direitos das crianças. A pesquisa analisou respostas geradas por ferramentas de IA sobre artistas brasileiros e identificou taxas elevadas de erros, especialmente quando o tema envolvia artistas negros e indígenas.
“Quando analisamos respostas sobre artistas indígenas brasileiros, todas apresentaram algum erro. Isso mostra como essas tecnologias ainda reproduzem desigualdades históricas e invisibilidades que já existem na sociedade”, destacou.
* https://www.gov.br/cultura/ Cultura, Artes, História e Esportes.



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