Caso do cachorro Orelha: a brutalidade que chocou o Brasil
- Jornal Esporte e Saúde

- há 3 dias
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Foto :Reprodução internet
O assassinato do cachorro Orelha não é apenas mais um episódio de violência contra animais, é um retrato cruel de uma mentalidade que insiste em se esconder atrás de slogans morais enquanto pratica a barbárie.
Orelha, um cão comunitário, cuidado por muitos e pertencente a todos, foi vítima de uma violência que não nasce do acaso, mas de uma cultura de desprezo pela vida que não se encaixa nos privilégios de poucos.
Quando se diz que Orelha foi “assassinado pela elite do deus, pátria e família catarinense”, não se trata de generalização leviana, mas de uma crítica direta a um discurso que se diz defensor da moral, da ordem e dos bons costumes, enquanto naturaliza a crueldade, silencia testemunhas e relativiza o sofrimento.
É a mesma lógica que escolhe quem merece compaixão e quem pode ser descartado, seja um animal indefeso, seja qualquer vida considerada menor.
Orelha não morreu apenas pelos ferimentos físicos. Morreu também pela covardia social, pela sensação de impunidade, pelo uso da religião e do patriotismo como escudo para atos que negam o mínimo de humanidade.
A violência contra ele expõe uma fratura ética profunda: a de uma sociedade que se indigna em palavras, mas hesita em confrontar os seus próprios ídolos e estruturas de poder.
Que a memória de Orelha não seja apenas um nome em hashtags ou uma comoção passageira. Que ela sirva para lembrar que civilização não se mede por discursos inflamados, mas pela forma como tratamos os mais vulneráveis, e nisso, falhamos de maneira vergonhosa.
* Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa.







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