top of page

A esquerda precisa ouvir a base — ou continuará falando sozinha

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • há 33 minutos
  • 2 min de leitura

Foto arte: reprodução internet


Por Mônica Braga

Jornalista e de Esquerda


A esquerda brasileira costuma se perguntar por que tem tanta dificuldade de dialogar com a periferia, com a base social que historicamente ajudou a construir suas lutas. A pergunta é legítima. Mas talvez a resposta esteja justamente em algo que muitos militantes ainda resistem a fazer: ouvir.


Comunicação não é monólogo. Comunicação é falar e ouvir. Quando setores da esquerda chegam aos territórios apenas para ensinar, corrigir ou “explicar” o que é certo e errado, isso não é diálogo, é imposição, ação que não existe em posição de esquerda. E imposição nunca construiu base política duradoura.


Há uma distância crescente entre o discurso e a prática. Vive-se muitas vezes dentro de uma bolha confortável, onde todos concordam entre si. Mas bolha não garante voto, não garante respeito e muito menos garante presença política real nos territórios.


A pergunta incômoda precisa ser feita: o que a esquerda construiu concretamente em muitas cidades? Em Macaé, por exemplo, quem representa de fato esse campo político na Câmara de Vereadores hoje? Fingir que “ninguém representa” não resolve o problema.


Alguém sempre representará, e, se não for a esquerda, será outro campo político decidindo os rumos da cidade. Ou a própria esquerda com atitudes e visões, bem como boa parceria com a extrema direta.


A política institucional continua tendo impacto direto na vida das pessoas. O que é votado no Legislativo e executado pelo Executivo municipal define políticas públicas, orçamento e prioridades. Não basta ir a manifestações, shows ou atos com artistas e ouvir discursos de parlamentares com os quais simpatizamos. Isso, por si só, não transforma ninguém em agente político.


Existe também uma contradição que precisa ser encarada com honestidade: muitos que levantam bandeiras de princípios esquerdistas nas redes ou nas ruas simplesmente não participam da política concreta. Ao mesmo tempo, sabotam candidaturas do próprio campo progressista por disputas internas, vaidades ou purismo ideológico.


Enquanto isso, a extrema direita avança com organização territorial, com discurso simples e presença constante nas comunidades.


Não adianta fazer discursos inflamados contra o Congresso ou contra a extrema direita se, na ponta, a própria esquerda não consegue se organizar, dialogar e construir representação local. Política também se faz na eleição para vereador, no bairro, na associação, no cotidiano.


E é preciso dizer isso com franqueza aos companheiros de Macaé: não dá mais para confundir militância com conforto intelectual ou presença em rede social. Gravar vídeos sobre temas em alta, repetir conceitos e garantir a própria posição “filosoficamente de esquerda” pode render aplausos no círculo próximo, mas não constrói base, não disputa poder e não muda a vida de ninguém.


Enquanto nos acomodamos nesse lugar seguro, outros ocupam o território, organizam votos e decidem os rumos da cidade.


A esquerda precisa sair da zona de conforto e fazer política de verdade, ou continuará apenas comentando a política que os outros fazem.


Acorda, Macaé!


Mônica Braga é Jornalista, Professora, Escritora, Poeta e de esquerda, em uma ampla leitura e observação do momento político de tamanha importância atual.



* Texto: Jornalista Mônica Braga / assessora de imprensa


 
 
 

Comentários


bottom of page