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  • Foto do escritorJornal Esporte e Saúde

Mulheres se endividam mais para alimentar famílias e tendência é de piora, alerta estudo

Pesquisa analisou endividamento feminino em meio à precarização do trabalho, à falta de acesso aos serviços públicos e à necessidade de sustentar a família


38% das mulheres entrevistadas pelo estudo do Instituto Eqüit responderam que utilizaram o cartão de crédito como forma de pagamento durante a pandemia; Levantamento apontou que mulheres tem se endividado mais para manterem suas famílias / Divulgação


Rio - Mulheres se endividam mais para alimentar famílias, apontou o levantamento "Endividar-se para viver: o cotidiano das mulheres na pandemia", realizado pelo Instituto Eqüit, que há 20 anos estuda gênero e desigualdade no Brasil. Ainda segundo a pesquisa, o endividamento feminino se agravou na pandemia em meio à urgência de suprir necessidades básicas, como o pagamento de contas de água, luz e gás ou ainda pela compra de alimentos, entre outros itens, dado o crescimento do desemprego e a enorme precarização do mercado de trabalho.


Para a coordenadora do Instituto Eqüit, a pesquisadora Graciela Rodríguez, "a informalidade e a precarização da rede de proteção social, promovidas pela reforma trabalhista e da previdência nos últimos anos, afetaram especialmente as mulheres e suas famílias, já que metade dos lares brasileiros são chefiados por elas".


O levantamento também analisou as modalidades de crédito mais utilizadas pelas mulheres durante a pandemia: 38% responderam cartão de crédito; 33% crediário; e 32% cartão de crédito simultaneamente a outras opções de crédito. Ao menos 13% do total de entrevistadas utilizaram o cartão de crédito juntamente com o crediário, em alguns casos acrescentados ainda a outras modalidades. Depois do cartão de crédito e do crediário, as modalidades mais utilizadas foram o empréstimo pessoal contratado junto às instituições bancárias e financeiras, além do Fies.


Na avaliação dos pesquisadores que participaram do estudo, o endividamento feminino, no atual contexto econômico e trabalhista brasileiros, pode piorar. "As mulheres são mais impactadas pelo endividamento porque ganham menos e muitas têm que sustentar a casa sozinhas. Então, entram em um uma espécie de ciclo vicioso. Antes, os brasileiros se endividavam para comprar carro e casa. Atualmente, fazem dívidas para conseguir comer e pagar as contas", explica Rodríguez.


"Diante do aumento da informalidade e da precarização dos trabalhos, além da oferta crescente de crédito, esse cenário tende a piorar, deixando mulheres cada vez mais envolvidas nesse ciclo vicioso", frisa a pesquisadora.


Rodriguez avalia ainda que há uma oferta crescente de crédito de baixa qualidade a trabalhadores precarizados. Devido a isso, a análise é de que, diante do achatamento dos salários, da escassez de postos de trabalho formais e da perda do poder de compra, as mulheres são empurradas ao endividamento.


"A partir dessa situação, são convocadas a ampliar o trabalho doméstico gratuito e até a usar seu ‘tempo livre’ para transformar os produtos de atividades anteriormente feitas por prazer em mercadorias e serviços para auxiliar na complementação da renda familiar ou suprir por completo as necessidades básicas das famílias", analisa Rodríguez.

O relatório, produzido a partir de pesquisa qualitativa, ouviu mulheres de seis municípios do Norte e do Nordeste do Brasil: Salvador (BA), Juarez Távora (PB), Viçosa do Ceará (CE), Imperatriz (MA), Belém (PA) e Manaus (AM).


* https://odia.ig.com.br/economia/Karilayn Areias


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