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Mau-olhado: a inveja de alguém, mesmo de longe, pode fazer mal?

O Terra ouviu pessoas de diferentes crenças para definir o que pode ser o mau-olhado e como se proteger



Quem nunca desconfiou que aquela "amiga" não tinha uma vibe assim tão boa? Ou suspeitou que um certo "amigo" do trabalho teve inveja da promoção que você recebeu? A crença de que a inveja pode nos afetar fisicamente, através do famoso mau-olhado, é bastante difundida no Brasil, e até celebridades, como a cantora Lexa, têm medo de agouros.


Em uma publicação no Twitter, a funkeira disse que queria expor mais sua vida pessoal, mas não o fazia por medo de adoecer.


"Claro que o mau-olhado é uma questão que herdamos muito dessa relação inter-religiosa, do Cristianismo português com as religiões de matriz africana, mas não existe uma doutrina específica sobre isso", explica o padre Lázaro Muniz, que é o coordenador da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Salvador. Segundo o padre, para a Igreja Católica o mau-olhado não existe.


"Mas existe a inveja, e as pessoas invejosas e maldosas podem transmitir ao outro uma negatividade, medo e intimidação", acrescenta.


Diferentemente da Igreja Católica, nas religiões de matriz africana o mau-olhado não só existe, como pode afetar qualquer um, e há palavras próprias para esses sentimentos: Ajogun seriam forças negativas que impedem a evolução ou crescimento, e Oju kokorok, que pode ser traduzido como "olho-ruim" ou "olho-negativo". O babalorixá Leonardo Ty Osun, sacerdote do Candomblé, explica que muitas vezes as pessoas nem sabem que podem fazer mal aos outros.


"São pessoas que possuem essa negatividade, que é uma deficiência espiritual, mas elas não sabem que atrapalham a colega, o amigo ou o próximo", diz.


Babalorixá Leonardo Ty Osun acredita no mau-olhado Foto: Reprodução/ Instagram @paileooficiall

Eunice Ferrari, psicoterapeuta e astróloga, destaca que o mau-olhado é pura energia, criada pelo nosso pensamento. A especialista, que assina uma coluna de Astrologia no Terra, chama de "forma-pensamento" o que ela entende como uma energia criada que é resultante dos nossos pensamentos e das emoções que eles desencadeiam.


Segundo Eunice, se uma pessoa está energeticamente desprotegida, com seu campo de energia muito permeável ou numa vibração muito baixa, ela pode abrir espaço para o mau-olhado. A consequência é ser "sugado", também do ponto de vista energético, sem que sequer imagine a causa disso.


Psicoterapeuta e astróloga, Eunice Ferrari defende que o mau-olhado está no campo energético Foto: Acervo pessoal


"Quem olha com maus olhos deseja o mal, vibra em densidades baixas, suga o outro, julga de maneira irresponsável, vampiriza o que gostaria de alcançar, ao invés de se inspirar para buscar seu próprio caminho", acrescenta a taróloga Isadora Mazzoni.


Uma explicação para essa influência está relacionada ao alinhamento dos chakras. A psicóloga integrativa Priscilla Tavollassi diz que se entrarmos em contato com uma pessoa que está desalinhada energeticamente, podemos entrar naquela frequência e desalinhar nossos chakras também.


"Algumas pessoas falam assim: 'Estou com uma inveja branca de você'. Ué? Por acaso, a inveja tem cor? Não existe inveja branca ou qualquer outra cor. Existe inveja e pronto", afirma.


O desalinhamento citado por Priscilla pode ser percebido por sintomas como cansaço e vontade de abrir a boca para bocejar. Especialistas citam ainda outros indícios físicos do mau-olhado: dores de cabeça e cabeça pesada, muito sono, perda de apetite, irritabilidade, mau humor, raiva indefinida e até comportamento deprimido.


"As emoções negativas ganham espaços dentro de nós", resume Eunice.


A psicanalista integrativa Priscilla Tavollassi também acredita que o mau-olhado está no campo da energia \ foto: reprodução internet


As redes sociais e o olho-gordo


Para os especialistas, o fato de escolhemos postar nas redes sociais os momentos felizes de nossas vidas é uma porta aberta para o mau-olhado. Até porque não há barreiras para o sentimento negativo de uns sobre os outros, como defende Eunice Ferrari.


"Se expor, em qualquer lugar, pode abrir o espaço para a ‘forma-pensamento’ da inveja entrar. Nas redes sociais, muito mais por causa da quantidade de pessoas que estão olhando pra você", acrescenta.


O babalorixá Leonardo Ty Osun pondera que quem trabalha com redes sociais não tem muita saída, mas reforça que é importante não postar tudo o que vive. "Muitos podem ver os posts de maneira positiva, mas vai ter quem vai torcer contra. A gente sabe que vai estar te emanando energias negativas", defende.


Mas nem toda ameça vem de fora. Para a psicanalista Priscilla Tavollassi, o perigo está um pouco mais próximo. Isso porque a exposição e a fama que deixam o indivíduo em evidência normalmente afetam de forma negativa pessoas conhecidas, e não os fãs. Estes geralmente admiram aqueles que seguem na rede social.


"O problema é aqueles que desejam estar no seu lugar. Isso normalmente é um comportamento de pessoas conhecidas daquele que se expõe", reforça.


Então, como se defender?


A taróloga Isadora Mazzoni acredita que a quantidade de gente de olho em nossas atualizações nas redes sociais não é problema quando cada um está conectado com sua própria fé, independentemente de qual seja. Ela tem até um lema: "não importa o tamanho da sua plateia, o importante é o tamanho do seu escudo".


Isadora recomenda ainda não dar espaço para pessoas mal intencionadas nem consumir notícias negativas demais. "Vigiar mesmo", resume.


Tanto Eunice Ferrari quanto Priscilla Tavollassi defendem que a proteção vem de dentro e depende de cada um.


"Para nos protegermos dessas armadilhas, devemos primeiro estar bem com a gente, sem emoções negativas, ou seja, numa vibração mais elevada. Para conseguir elevar nossa vibração, devemos estar conectados a bons sentimentos. A meditação ajuda muito também, porque nos conecta aos nossos mentores espirituais", indica a astróloga.


O sacerdote Leonardo Ty Osun recomenda ainda se apegar àquilo em que cada um acredita. Quem professa a fé nas religiões de matriz africana pode apostar em banhos, defumação, incensos e visitas ao terreiro para afastar de vez o mau-olhado.


O padre Lázaro Muniz acredita que o poder da oração deve ser maior que o medo do mau-olhado Foto: Sara Gomes


E mesmo que para a Igreja Católica isso não exista, o Padre Lázaro Muniz não duvida que a oração é também uma forma de proteção contra os agouros.


"A nossa direção é Jesus Cristo, como diz o Salmo 91: 'Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei'", cita o sacerdote católico. "Nós não teríamos um santo específico da Igreja para combater o mau-olhado, mas o próprio Jesus é nossa defesa", afirma.


* Ícaro Malta \ https://www.terra.com.br/vida-e-estilo


Parocinado:







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