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Contra peso-pesado, Paulo Sousa faz Flamengo ser dominante com o "bloco dos recuperados"

Em grande jogo diante do Palmeiras, Thiago Maia é o "recuperado da vez" a se destacar; Everton Ribeiro e Lázaro dão sequência ao momento de crescimento

O Flamengo não venceu, mas convenceu no empate por 0 a 0 com o Palmeiras. Tanto o fez que saiu aplaudido do Maracanã. Teve mais volume e as melhores chances, o que impulsionou os quase 70 mil presentes a fazerem bela festa. Boa parte da sintonia entre campo e arquibancada na véspera do Carnaval fora de época foi regida pelo "bloco dos recuperados".

É verdade que a pressão alta deu resultado mais uma vez e que os homens de frente estão cada vez mais aproximados e com melhor entendimento. A utilização de diferentes sistemas durante a partida também já é assimilada pelos jogadores, mas a boa atuação no Palmeiras serve para evidenciar não somente os processos coletivos em evolução, mas a redenção de alguns atletas também.


Essa subida de patamar de determinados jogadores tem sido uma tônica no trabalho de Paulo Sousa. É fato que o Flamengo tem evoluído a cada jogo nos aspectos coletivo, técnico e tático, porém isso não é o tema central da conversa de hoje.


Thiago Maia em duelo com Danilo em Flamengo x Palmeiras

Foto: Marcelo Cortes/Flamengo


Thiago Maia é o "recuperado da vez"

Após bastante tempo indisponível por conta de um corte profundo, Thiago Maia passou ter sequência no início de abril. Foi titular nos últimos cinco jogos e esteve muito mal contra Sporting Cristal, Atlético-GO e Talleres. Depois da vitória sobre os argentinos, chegou a desculpar-se com um torcedor pelas atuações ruins.

Contra o São Paulo, notou-se tímida evolução e diante do Palmeiras aí sim veio a grande atuação no ano. Além da habitual disposição para o combate, foi preciso nos desarmes e reduziu os erros de passes. Mais do que isso: ajudou na construção das jogadas, inclusive em duas que quase terminaram em gols de Arrascaeta.


Thiago foi o jogador que mais acertou passes do Flamengo (54 de 63), quesito que comprova a maior participação na transição entre defesa e ataque.


Após o jogo, Paulo Sousa fez a análise individual de Thiago, citou pontos de atenção, e afirmou ter o desejo de que outros jogadores sigam o exemplo do camisa 8.

- Encontrei mais um jogador que tem vindo a crescer, que nos dá soluções com a bola nos primeiros momentos de construção. Tem capacidade para melhorar em termos posicionais e no entendimento entre ele e João de equidistâncias e de lateralidade entre eles dois. A necessidade que a equipe tem não só nesse primeiro momento de construção e também para ver o jogo de frente. Também em apoio e em movimentos de ruptura. Pode melhorar muito mais em termos de duelos. E pode melhorar no último terço porque tem a capacidade de enxergar mais longe e de dar passes de maior profundidade.

- Por isso, esperando que outros também possam crescer pois necessitamos. São posições de grande destaque mental e físico. E precisamos de todos disponíveis porque é uma temporada longa. Com esse ritmo de jogo de hoje, necessitamos de todos disponíveis com a mesma qualidade para termos boa performance e resultados.

Ribeiro e Lázaro num degrau acima

Se Maia foi quem tirou a melhor nota na prova de recuperação nesta quarta-feira, outros dois seguem em franca evolução. Everton Ribeiro e Lázaro, cada um subindo de produção à sua maneira.


A queda de Ribeiro pode ser dividida com Paulo Sousa, que iniciou 2022 o escalando pela ala esquerda. Em contrapartida, vale lembrar que o final do ano passado do camisa 7, mesmo jogando em sua posição, não foi o dos mais animadores.

Ribeiro já vinha crescendo desde a vitória contra o Talleres por 3 a 1, na qual foi mais decisivo do que brilhante. Diante do Palmeiras, porém, infiltrações, dribles e superioridade nos duelos individuais foram uma constante.


- Quando a equipe está compacta e confiante, o individual sobe. Eu jogando mais perto do Arrasca facilita muito. A equipe compacta toda hora roubando a bola e não tendo que correr 60 metros para trás para recuperar bola são coisas que me ajudam. Recebendo mais bolas, fico feliz por estar em alto nível e fazendo o melhor pelo Flamengo - afirmou o camisa 7 após o jogo.


Flamengo x Palmeiras — Foto: ANDRÉ DURÃO

Também integrante do "bloco dos recuperados", Lázaro começou o ano como surpresa e respondeu positivamente, porém já encontrou momentos de oscilação em 2022. Contra o Palmeiras, aliás, mais um dia de altos e baixos. Entretanto o excelente primeiro tempo, com direito linda jogada que quase terminou em gol de Arrascaeta e muitas combinações, não pode ser esquecido diante de uma etapa final um pouco mais apagada.

Lázaro se encontrou pela esquerda. Sabe que Bruno Henrique é o titular da posição, mas tem aproveitado as chances ao apresentar ótimo entendimento com os homens de frente, sobretudo com Gabigol, os meias e Filipe Luís. Não hesita em finalizar quando dão espaço, e os dribles têm saído com mais naturalidade.

Com perdão pela redundância, mas recuperou-se dentro do processo de recuperação após um início decepcionante entre os profissionais.

Hugo Souza e Isla, outros candidatos

Quando a janela fechou, e o Flamengo contratou Santos aos 45 minutos do segundo tempo, imaginava-se que o goleiro ex-Athletico chegaria para assumir o posto de titular absoluto. Interpretação óbvia diante de um panorama que colocava em disputa por uma posição um atleta que vinha sendo convocado por Tite e outro que convivia com cobranças pela insegurança e falhas em momentos decisivos.


A impressão de que Santos assumiria de vez o gol rubro-negro veio após a boa atuação contra o Talleres, mas Paulo Sousa surpreendeu no domingo com a escalação de Hugo, que não comprometeu. O duelo com o Palmeiras então marcaria o retorno de Santos, certo? Errado.


Hugo foi titular, mostrou segurança nas saídas do gol, não arriscou com os pés e fez uma grande defesa no fim do primeiro tempo, em chute do volante Danilo. Após o jogo, Paulo Sousa deu a entender que o jovem continuará tendo oportunidades.

- O Santos chegou, e há um processo de crescimento do Hugo. Se o Santos tivesse chegado inicialmente, nossas decisões provavelmente seriam diferentes. Para já, vamos dar continuidade ao crescimento do Hugo. Hoje fez uma atuação extraordinária, tem melhorado no jogo com os pés e na tomada de decisões. Esteve concentrado o tempo todo. A pressão às vezes existe por tudo que se fala e que se escreve. Hugo está muito ligado em mentalidade e tem muito a crescer.


Autor de um golaço no domingo contra o São Paulo, Isla foi outro a ter atuação segura. Não deixou furos defensivamente e reviveu o bom entrosamento que tem com Everton Ribeiro. Com Matheuzinho machucado e Rodinei vindo de duas partidas ruins, o chileno pinta como das mais improváveis recuperações dentro do elenco.


Isla em ação pelo Flamengo contra o Palmeiras — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

"Ex-recuperado", João Gomes reafirma-se como pilar ao lado de Filipe Luís


Diante da grande atuação de Thiago Maia, o volante João Gomes, hoje já "ex-recuperado" e alçado à condição de pilar de Paulo Sousa, pode ter passado despercebido por muitos, porém mais uma vez mostrou-se incansável no combate. Foram oito desarmes no total.

No combate, Gomes só não superou Filipe Luís, em noite praticamente perfeita. Jogador que nunca "ficou em recuperação" no Flamengo, o camisa 13 ganhou praticamente todas as disputas pelo lado em que Dudu atacava. Quando o 7 palmeirense não aparecia por ali, Raphael Veiga ou Rony surgiam para rivalizar com Filipe, que surgia com serenidade para desarmar.


Foram sete desarmes, três faltas cometidas inteligentemente e 100% de aproveitamento nos passes (49 no total).


Para não dizer que não falamos dos números, o Flamengo teve mais do que o dobro de finalizações do Palmeiras (17 a 7), ligeira superioridade na posse de bola 52% e maior penetração no campo adversário (veja nos mapas de calor do site Footstats abaixo).

Confiança recuperada

Mais do que os jogadores, Paulo Sousa tem recuperado a confiança de uma torcida que chegou a vaiá-lo em determinados momentos da temporada. Não somente em relação a si, mas a respeito de todo o elenco.


Os aplausos nada comuns após um empate por 0 a 0 mostram que as peças do ainda complexo quebra-cabeças do português começam a se encaixar, e o desenho de um Flamengo vistoso, competitivo e envolvente já surge de forma mais clara para jogadores, torcedores e críticos.


* https://ge.globo.com/futebol/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

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