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Cerimônia da Sapatilha: em Macaé bailarinas da Escola Municipal de Dança participam de transição

  • Foto do escritor: Jornal Esporte e Saúde
    Jornal Esporte e Saúde
  • 29 de ago. de 2025
  • 7 min de leitura

A sapatilha de ponta é o acessório mais importante da dança e representa o marco de uma nova etapa


Vinte e uma bailarinas participaram nesta quinta-feira (28) da Cerimônia da Sapatilha de 2025, na Escola Municipal de Dança, um dos momentos mais aguardados do calendário da instituição. O evento marca a transição das alunas para uma nova etapa na formação artística, celebrando a dedicação, o esforço e o crescimento de cada uma ao longo do ano letivo. Familiares, professores e convidados estiveram presentes para prestigiar as apresentações e a passagem das alunas para o uso das sapatilhas de ponta — um marco técnico e simbólico na formação artística.



A secretária de Cultura, Waleska Freire, destacou a importância do momento tanto para as alunas quanto para o desenvolvimento da cultura na cidade.



“A Cerimônia da Sapatilha é mais do que uma celebração artística — é o reconhecimento do talento, da disciplina e da trajetória dessas jovens. A cerimônia simboliza uma história de superação e amor pela dança. A escola cumpre um papel fundamental na formação dessas artistas, e é um orgulho para a gestão apoiar iniciativas que valorizam a cultura e transformam vidas”, afirmou.



As bailarinas que participaram da cerimônia foram: Amanda Berlink Moreira; Ana Clara Couto Silva; Anna Alice Santos Cruz; Beatriz Rita Miranda Alves; Clara Freixo Alcântara; Dandara Antunes Zarour Rogério; Erika Santiago Gonçalves; Gabriella Silva Barreto; Gabriela da Silva Garcia; Gessiane Rodrigues Lopes; Giovana Rodrigues Batista Passos; Laura Prata Fernandes; Lethicya Rabello P. F. Beppler; Maria Alice dos Santos Lima; Maria Alice Soares Rocha; Maria Antônia Caetano Lima; Nicolly Adrya da Silva Andrade; Rafaela Vianna Pereira; Raquel de Souza Figueiredo; Sara Piazza Lacerda e Yasmin Soares de Souza.



Famílias se emocionam com a conquista da sapatilha de ponta


A mãe Carla Ferreira ressaltou a importância da cultura na formação da filha e celebrou a conquista de Gabriela Barreto.


“A cultura abre horizontes, e o balé é fundamental para a postura e a disciplina. São anos de dedicação. A Gabriela faz balé desde os cinco anos e, agora com 13, evoluiu para a sapatilha de ponta. Todos os funcionários da escola são importantes. É tudo de bom, só tenho a agradecer”, disse.


Gabriela, aluna do sétimo ano, compartilhou o que mais a encanta na dança.


“Gosto da forma de expressão. É um jeito de transmitir sentimentos em silêncio, dançando. Vou me dedicar ainda mais e conciliar com os estudos”, expressou.


Clara Alcântara, que também festejou sua sapatilha de ponta nesta quinta-feira, pratica balé há sete anos.


“Sempre sonhei em ser bailarina. Talvez não siga profissionalmente, mas quero continuar, pode ser como hobby. Amo o que faço e amo evoluir”, contou.


A irmã mais nova, Nalu, revelou estar inspirada pela trajetória de Clara.


“Além do meu desejo de receber a sapatilha de ponta, quero evoluir profissionalmente”, afirmou.


A mãe das duas, Mayara Alcântara, não escondeu a emoção.


“É muito orgulho ver esse momento acontecer”, declarou.


Diretora enaltece coragem e disciplina das jovens bailarinas


Para a diretora da Escola Municipal de Dança, Cláudia Tenório, a sapatilha de ponta representa mais do que um simples calçado — ela simboliza horas incontáveis de dedicação e, principalmente, de superação. Para ela, trata-se da materialização da coragem de enfrentar desafios, de cair e levantar, de persistir até conseguir.


- Cada bailarina começou sua história com passos tímidos, sapatilhas de meia ponta e o coração cheio de vontade, começando como uma brincadeira disfarçada no Pré-Ballet, pois de forma lúdica a matéria era passada e principalmente um trabalho de sedução era feito para fazê-las continuar. A maioria delas começou aqui com 5 aninhos. Foram anos de treino intenso, músculos doloridos, lágrimas discretas… e também risos, abraços e conquistas silenciosas. Foram anos de muito empenho, disciplina e companheirismo da sua família e olha....olha aonde vocês chegaram. Temos um nível de exigência alto que não disciplina somente as alunas, mas também toda a família e não é fácil manter essa rotina de comprometimento – discursou a diretora da Escola Municipal de Dança, Cláudia Tenório.


Há 13 anos como diretora da E.M.Dança, Cláudia assinalou que nesta quinta-feira, a Escola se torna mais do que um espaço para a dança, se torna um momento de sonhos realizados.


“É uma enorme satisfação vivenciar este momento tão importante para essas meninas que vimos crescer aqui dentro da escola. Quero aproveitar a oportunidade para iniciar agradecendo a cada um dos funcionários da Família E.M.Dança, sem a dedicação e comprometimento de vocês não seria possível chegar a este momento”, salientou.


Antes de serem chamadas nominalmente, Cláudia informou que a cerimônia simboliza o recebimento da sua sapatilha das mãos de sua família e também um certificado de reconhecimento por todo o caminho percorrido.


“Recebam a confiança de que estão prontas para novos desafios e a certeza de que todo esforço valeu a pena”, atestou.


A ponta do esforço: a nova etapa na formação das bailarinas


A Escola Municipal de Dança tem como Coordenadora Técnica a Maitre de Ballet, Cristine Ximenes e a professora coreógrafa Luize Helena.


Cristine Ximenes falou sobre o significado da transição para a sapatilha de ponta e os desafios que acompanham esse novo momento. Para ela, a entrega da sapatilha de ponta marca o início de uma nova etapa para as alunas, que agora aliam a dedicação já cultivada ao aumento da responsabilidade na formação artística. Cristine Ximenes acentua que o crescimento técnico e pessoal das bailarinas depende diretamente do empenho individual de cada uma.


“Temos um plano de aula específico para cada fase, e a sapatilha de ponta vem como um prêmio para aquelas que permaneceram firmes até aqui. É fruto de uma parceria fundamental entre a escola e as famílias”, afirma.


Segundo a coordenadora, o processo exige mais esforço e preparação.


“A sapatilha de ponta é um objeto diferenciado no pé. Passa a ser como uma segunda pele para a bailarina. Por isso, é necessário fortalecimento muscular, dedicação, tudo isso faz parte do caminho para alcançar o objetivo”, observa Cristine.


Após o impacto da pandemia, ela celebra o retorno das formações completas:


“Estamos, finalmente, retomando esse momento de alegria. Depois de tanto tempo, voltamos a ter uma turma grande saindo da meia-ponta e assumindo a sapatilha de ponta. Em breve, veremos grandes bailarinas surgindo desse processo”, avaliou.


Cristine reforça seu compromisso com a Escola Municipal de Dança:


“Meu objetivo é entregar o meu trabalho e o meu profissionalismo à escola, contribuindo para formar não apenas bailarinas, mas artistas completas”, comentou.


Segundo a professora coreógrafa Luize Helena, a caminhada até as sapatilhas de ponta e até este momento tão especial da Cerimônia da Sapatilha foi um mergulho profundo em dedicação, entrega e paixão pela dança.


"Cada aula nos últimos dezoito meses foi marcada pelo compromisso das bailarinas em ir além da técnica: buscamos interpretação, musicalidade e expressão artística, aquilo que torna cada uma única e especial", definiu.


De acordo com Luize, foi um processo de crescimento individual e coletivo.


"No qual presenciamos não apenas a evolução como artistas, mas também a superação do medo, dos desafios corporais e a conquista da confiança em si mesmas. Cada bailarina que hoje celebra dedicou anos à dança, e é por isso que sinto um orgulho imenso de cada uma", assinalou.


Variações Clássicas marcam a Cerimônia da Sapatilha


Para celebrar a cerimônia, a aluna Lethicya Rabello Beppler apresentou a Variação de “Paquita”; a aluna Gabriela Garcia apresentou a Variação de “Kitri” e a aluna Gessiane Rodrigues apresentou a variação de “Payssant”.


A variação de "Paysant" é uma coreografia do ballet "Giselle", criada em 1840. Ela é uma variação feminina que faz parte do grand pas de paysant, que retrata uma camponesa durante as festas de colheita de uvas.


Paquita é um ballet-pantomina, significa dizer que é um balé em que dançarinas (os) se manifestam mediante a mímica, gestos, expressões fisionômicas e corporais. Esse formato de ballet, que foi popularizado no século XIX, é considerado o arquétipo (modelo) do Ballet Clássico. Kitri é a variação feminina do ballet Dom Quixote. Conta com grandes saltos.


Sobre a escolha das variações, Luize explicou que foram escolhidas com cuidado e sensibilidade, considerando tanto o perfil artístico e técnico de cada bailarina quanto o momento de sua trajetória.


"Desejávamos que cada uma pudesse se desafiar e, ao mesmo tempo, se reconhecer na personagem e na energia de sua variação. Assim, cada escolha se transformou em reflexo da personalidade, da força e da delicadeza das nossas bailarinas, revelando no palco o brilho singular que habita em cada uma delas. Gostaria de agradecer especialmente aos responsáveis e a equipe da EMDança pela parceria diária para elas conquistarem as pontas", concluiu.


Quando o sonho encontra o palco: a Cerimônia da Sapatilha


A mensagem dada às bailarinas pela Escola Municipal de Dança mostra a importância da transição das alunas para o uso das sapatilhas de ponta:


“Meninas... era uma vez um sonho. Um sonho que nasceu pequeno, nos pés que mal alcançavam o chão. Pés inquietos… que, com o tempo, aprenderam a falar a linguagem da dança. Foram anos de passos cuidadosos, de quedas e recomeços. Foram dias de músculos cansados, de pés machucados, mas também de coração pulsando forte, cheio de esperança. A sapatilha de ponta… não é apenas o acessório mais importante da dança. Ela é o marco de uma nova etapa. Ela é o ‘Eu consegui’ depois de cada lágrima, o ‘Eu posso’ depois de cada dúvida, o ‘Eu sou’ depois de cada ensaio silencioso. Hoje, cada bailarina traz consigo não só técnica… mas histórias. Histórias de coragem, de amizade e de superação. Recebam com todo carinho o símbolo eterno de sua jornada, a sua primeira sapatilha de ponta. Devemos hoje relembrar com gratidão, as professoras e professores de cada etapa, sem eles não seria possível chegar até aqui. Queridas bailarinas, que esta sapatilha seja a lembrança de que vocês podem sim alcançar qualquer coisa e que a dança sempre será o seu lar. Agora começa uma nova etapa do seu sonho de ser bailarina. Porque ainda não acabou. Agora inicia a etapa mais importante”.


* Texto: Jornalista Janira Braga / Foto: Moisés Bruno / Comunicação Macaé.


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