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Cansado, Flamengo dá espaço, mas derrota e erros incomuns não ofuscam evolução de reservas

Matheus França, Cebolinha e Pulgar seguem momento de crescimento em noite que a segura dupla de zaga formada por Fabrício Bruno e Pablo conheceu a primeira derrota

Numa noite em que o resultado menos importava, o Flamengo voltou a dar alegria para sua torcida no Maracanã. Fez um golaço de futebol coletivo, reafirmou reservas em ascensão e só perdeu por erros incomuns, consequência de cansaço e relaxamento natural. A derrota por 2 a 1 para o Corinthians foi detalhe em mais uma noite de festa no Maracanã e voltas olímpicas com as taças da Libertadores e da Copa do Brasil.

Flamengo dá espaços na etapa inicial, mas também machuca

O primeiro tempo foi de intensa trocação, e os números refletem isso: cinco finalizações para cada lado, empate técnico na posse de bola (51% para o Corinthians) e equilíbrio em chances de perigo.


O Flamengo buscou o ataque desde o início, e o primeiro lance de perigo saiu em cabeçada de Pablo, mas o Corinthians aproveitou espaços dados pelo cansaço de um time que venceu dois campeonatos difíceis em 10 dias e superou problemas físicos.

Dessa forma, Giuliano conseguiu chute na trave após Du Queiroz ganhar as costas de Ayrton Lucas e penetrar no fundo sem cobertura de Vidal. No rebote, Roger Guedes parou em ótima defesa de Hugo, que pouco antes havia evitado gol de Yuri Alberto.


Pablo e Fabrício Bruno perderam juntos pela primeira vez com a camisa do Flamengo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

No contra-ataque após a finalização à queima-roupa de Guedes, nasce a primeira construção "à Flamengo". Marinho, num lance de muita paciência, arrancou, driblou Fábio Santos e deu nove toques na bola até inverter para Cebolinha, que foi ao fundo e cruzou. Matheuzinho pegou a sobra, devolveu para Marinho, que tocou para Pulgar. Vidal encontrou Ayrton Lucas, que ajeitou e bateu forte para boa defesa de Cássio.

O Corinthians, como disse Dorival Júnior, foi "mais cirúrgico" e abriu o placar com menor circulação de bola. Giuliano recuperou posse após espanada de Pablo, e os paulistas, em 17 toques distribuídos em 20 segundos. Também participaram da jogada Balbuena, Roger Guedes, Matheus Vital e Du Queiroz, autor do gol.


É bom destacar que na jogada apareceram espaços que só um time desgastado e com uma possível desconcentração concederiam. Matheuzinho não conseguiu diminuir o espaço de Vital, e Fabrício Bruno, que tentou bloquear a trama ainda fora da área, e Pablo ficaram olhando a bola.


Posicionamento incomum de uma dupla de zaga que, em 11 jogos, conheceu sua primeira derrota. Antes de a bola rolar, eram 10 vitórias e apenas sete gols sofridos.

A objetividade do Corinthians foi o ponto de desequilíbrio em uma etapa de jogo aberto. Pecou o Flamengo por insistir muito pela direita, com Matheuzinho e Marinho poucos inspirados. O último até lutou muito, mas errou demais na hora de concluir ou de fazer o último passe.

Ribeiro dá controle ao Fla, e erro coletivo é fatal

Dorival voltou do intervalo com Everton Ribeiro no lugar de Victor Hugo. O camisa 7 e capitão do Flamengo não participou do rápido gol rubro-negro, mas ajudaria o time a controlar a etapa final.


É importante, porém, falar do gol, marcado aos três minutos. Mais do que a objetividade elementar que caracteriza uma jogada concluída com 14 toques em 19 segundos, é importante destacar a plasticidade e a dificuldade dos movimentos executados.

Após Pablo receber de Fabrício Bruno e sair jogando em Everton Cebolinha, Vidal é acionado. Bruno Méndez fecha bem o espaço, mas o chileno dá uma cavada bonita. Cebolinha recebe no limite, dribla Mateus Vital com facilidade e estica com um passe de três dedos para Matheus França, também de trivela, tirar de Cássio. Golaço.

Golaço para reafirmar a evolução de Cebolinha, com dribles que vêm saindo ao natural. De Matheus França, que alia técnica para marcar e força física para deixar rivais para trás. E dos zagueiros, que, sim, mesmo com sua primeira derrota jogando juntos e erros incomuns, começaram a construção da jogada mostrando paciência.


Não falamos de Pulgar ainda, porém é importante citá-lo. Mostrou mais uma vez que precisa de poucos toques e movimentos rápidos para quebrar linhas. Ainda sente falta de ritmo, mas toma decisões importantes, como na jogada em que se atirou numa bola que parecia perdida e terminou em lance duvidoso na área corintiana. A Central do Apito, porém, disse que não houve pênalti.

Após o empate, o Flamengo dominava o jogo sob regência de Everton Ribeiro. Mesmo com as mexidas de Vitor Pereira, o time terminaria a etapa com mais posse de bola e nove finalizações contra apenas duas do adversário.


Mais uma vez o "pontual" Corinthians apareceu. O cansaço e a desconcentração também deram o ar da graça. Bruno Méndez passou como quis por Matheuzinho e Vidal, que poderiam ter cometido a falta. Fabrício Bruno, que se destaca pela velocidade e tempo de bola, calculou mal a hora do bote e deixou Yuri Alberto livre.

Nada que preocupe. A noite era de festa, e o Flamengo, mesmo com sua equipe B, foi superior na maior parte do tempo. Ayrton Lucas mostrou repertório, dribles e chegada à área adversária. Pulgar entendeu-se bem com Vidal, que, apesar do cansaço, participou do gol e ainda fez cinco desarmes. E na frente, Cebolinha e Matheus França deram o recado de que podem ser protagonistas em 2023.

* https://ge.globo.com/futebol/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro


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