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Campeã da Copa América, Seleção deixa lições para próximas disputas e nomes afirmados no time de Pia

Defesa se mostra sólida com Rafaelle e Tainara. Debinha chega à maturidade técnica no Brasil

A seleção brasileira teve um desafio inédito para 18 jogadoras neste sábado na vitória por 1 a 0 sobre a Colômbia. Uma primeira final de Copa América com estádio lotado, cerca de 22 mil colombianos e um time com uma jogadora de nível técnico alto como Linda Caicedo. Ficam da partida lições e também nomes que se firmaram na caminhada para o Mundial de 2023 e também os Jogos Olímpicos de 2024.


A maior notícia da jornada é a defesa. O Brasil sai sem tomar nenhum gol em seis jogos na competição. Lorena, Rafaelle e Tainara não passaram apertos e garantiram a tranquilidade seja nas bolas por baixo ou em jogadas aéreas. Um nível altíssimo e mundial. Na lateral direita, Antonia tomou conta da posição. Evoluiu no que Pia Sundhage pediu: para que subisse mais ao ataque. Atualmente, faz os dois com muita consciência.

Seleção comemora gol de Debinha — Foto: Thais Magalhães/CBF

Na outra ponta, Tamires deu a experiência que o jogo pedia e ainda cobriu o corredor pela esquerda mesmo nos momentos de dificuldade de Kerolin na partida. Aliás, depois do jogo, a jogadora do Corinthians fez questão de ressaltar um lema muito repetido pela treinadora sueca e que encaixou bem com o roteiro do confronto deste sábado: não tomar nada como garantido.


- O lema aqui na seleção é não tomar nada como garantido. Vamos comemorar muito termos sido campeãs da Copa América, mas com certeza a gente tem muito trabalho pela frente. A gente sabe que o patamar de uma Olimpíada, Mundial é muito mais alto, mas temos muita condição de estarmos em lugares mais altos no futebol feminino mundial e a gente vai trabalhar muito por isso - disse Tamires.

E esse lema não garante vaga cativa a nenhuma jogadora. A partir daí, é preciso olhar para nomes que oscilaram na competição ou não apresentaram o que se esperava. Bia Zaneratto sofreu com a catimba rival, tão alertada por Formiga antes da partida. Ary Borges vinha em um bom momento, mas não conseguiu desempenhar na final seu futebol em alto nível que já mostrou. Duda Sampaio pode ser mais utilizada. De reserva na lista da Copa América, chegou com naturalidade e bom futebol sem sentir a competição. Gabi Portilho vinha entrando bem nas partidas. Neste sábado, foi importante para anular as subidas de Caicedo.


Debinha merece uma citação à parte. Combativa, rápida, ela chegou à maturidade na seleção brasileira. Assume o jogo quando preciso e usa dos dribles misturado à tática que Pia tanto fala. Neste sábado, foi novamente assim. Não entrou no jogo de provocações das rivais e foi dela o lance que resultou no pênalti, que ela mesma bateu e assinalou com qualidade.


Mas um ponto que ainda fica é sobre o esquema. Com um time encaminhado, Pia Sundhage terá a chance de variar esquemas. O utilizado diante do Peru deu mais mobilidade na frente para a Seleção e pode ser uma boa opção para a treinadora. Mesmo assim, o Brasil ainda precisa ganhar mais corpo, achar mais saídas ofensivas nos jogos e fortalecer o meio que sentiu a saída de Angelina ainda no primeiro tempo.

O momento é de celebrar. E também já pensar em um desafio forte que bate à porta. Como subir mais um degrau para que o Brasil consiga bater de frente com as Seleções na Copa do Mundo de 2023? Saber lidar com as emoções pode ser um começo. E Pia tem um caminho a isso. Focar na tática, ter atletas experientes e enfrentar grandes adversários. Um deles já está marcado: enfrentar o campeão da Euro em fevereiro.

- As jogadoras brasileiras jogam muito com emoção, especialmente as mais jovens. Se emoção sobe num bom sentido, isso é fantástico. Mas se a emoção mostra que o time está ficando para baixo, é preciso se concentrar na tática. Pra resolver isso a gente precisa ter jogadoras mais experientes e também de grandes adversários disse Pia.


* https://ge.globo.com/futebol/Por Cíntia Barlem — Direto de Bucaramanga, Colômbia


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