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Calendário domina coletiva, técnicos se defendem e cresce atrito entre CBF e clubes

Convocações têm 18 jogadores de 11 clubes diferentes no Brasileirão. Na base, Branco reforça discurso de "sempre convocar os melhores". Seleções convocaram 17 vezes desde janeiro


O tema dominou as mais duas horas de entrevista coletiva da tripla convocação nesta sexta. Os técnicos Guilherme Dalla Déa, da sub-17, Tite, da equipe principal, e André Jardine, do time olímpico, tiveram que responder pelo menos 10 perguntas sobre os desfalques nos clubes brasileiros ocasionados pelas seleções. Mas o discurso estava afiado: a CBF não está disposta a ceder.



Reprodução..


Só nesta sexta, 67 jogadores foram convocados. Dentre todos eles, 18 atletas de 11 clubes diferentes da Série A foram chamados e desfalcarão seus clubes em duas rodadas do Brasileirão. No caso de Reinier, do Flamengo, e Talles Magno, do Vasco, a baixa será maior – até 10 rodadas. Ao comentar a situação, Tite reforçou que tenta ser equilibrado. Mas não aliviou para os clubes. E os responsabilizou também pelas falhas no calendário.


– Existe outro lado da questão. Lado da seleção, de preparação, daqueles que serão convocados. Sei que é difícil entender, mas temos que entregar desempenho e resultado. Para isso exige uma preparação. Tenho máximo de equidade, cuidado, máximo de bom senso – declarou o técnico da Seleção.


“Aliás, o calendário, não é da CBF. Eles são dos clubes também. É muito mais decisivo numa competição de Copa do Brasil do que de turno e returno”, afirmou Tite.

O técnico da Seleção chamou sete jogadores que atuam no futebol brasileiro para amistosos contra Nigéria e Senegal, em Singapura. Ele admitiu que também se sentia prejudicado nos tempos em que treinava clubes - em 2016, ironizou após Elias ser convocado no seu Corinthians para a Copa América Centenário ("O Santos teve dois convocados, nós tivemos um. Um monte de time não foi desfalcado", dizia à época, referindo-se indiretamente ao Palmeiras).


– Está falando aqui um técnico que já esteve no clube, que teve dois títulos, em 2011 e 2015, e que também sofreu disso. Sabe dimensionar isso. E que sabia também que tem que fazer um grupo forte para chegar ao melhor resultado. Há controvérsias. Há situações a serem defendidas nas duas partes. Cada um que chegue às suas conclusões – concluiu.



Everton é um dos 18 jogadores que serão desfalque nos clubes em outubro — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters.


“Vamos povoar a Granja Comary”


O choque na relação com os clubes foi ampliado neste ano e chegou às categorias de base. As convocações para os times juvenis são cada vez mais frequentes e é uma política da nova gestão da CBF, que está no poder desde abril, quando assumiu o atual presidente Rogério Caboclo. Em sua posse, o dirigente afirmou que queria aumentar o número de atletas chamados.


– Vamos segmentar as seleções por ano de nascimento dos atletas, do sub-15 ao sub-20 e aumentar a frequência das convocações. Quero povoar a Granja Comary com a base e dar aos garotos e garotas mais rodagem com a camisa do Brasil – prometeu. E cumpriu.


Antes da lista final para o Mundial Sub-17, divulgada nesta sexta, o técnico Guilherme Dalla Déa fez outras seis convocações e chamou 50 jogadores diferentes. E enfrentou problemas. O atacante Kaio Jorge, do Santos, não foi liberado pelo Peixe em duas oportunidades. E não foi retirado da lista pela CBF.


A mesma situação aconteceu com Talles Magno, do Vasco, em agosto. O caso foi parar no STJD, com um pedido do Cruz-Maltino para ter permissão de utilizá-lo em campo, mesmo com o jovem convocado. Ambos foram chamados por Dalla Déa para o Mundial da categoria.



Desde o início do ano, as categorias de base do Brasil contaram com 17 convocações distintas para seis categorias diferentes: sub-15, sub-16, sub-17, sub-18, sub-20 e sub-23 (olímpica).


Diante dos atritos com alguns clubes, o coordenador da base da CBF, Branco, manteve a mesma postura desde que assumiu: continuaria a chamar os melhores. E reforçou o discurso nesta sexta, ao comentar o caso específico de Talles Magno.


– Jogar Mundial é prêmio ao atleta. O maior que pode ter na vida. Com todo respeito ao Vasco, não penso em nenhuma hipótese, não entra na minha cabeça, um pedido de desconvocação do Vasco. Independentemente de ir à Fifa ou não. Mundial muda a carreira de muitos atletas. Como mudou de muitos


* Globoesporte - Por Daniel Mundim e Raphael Zarko — Rio de Janeiro.







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