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Brasil mostra boas ideias em estreia no Pré-Olímpico, mas segundo tempo deixa lições

Seleção sub-23 começa bem, mas não mata jogo e corre risco de sofrer empate do Peru



Paulinho (esq.) festeja gol contra o Peru pela estreia no Pré-Olímpico, ao lado de Yuri Alberto

Imagem: Juan BARRETO / AFP


Se você não resistiu ao sono ou por algum outro motivo precisou desligar a TV no intervalo da vitória do Brasil por 1 a 0 sobre o Peru, na noite do último domingo, deve ter ficado com uma impressão positiva da seleção sub-23. A equipe de André Jardine praticou bom futebol nos primeiros 45 minutos da estreia no Pré-Olímpico e poderia ter ido para o vestiário com vantagem ainda maior.


Porém, quem acompanhou o segundo tempo da partida na Colômbia viu o Brasil disperso e espaçado, sofrendo sustos e complicando um jogo que parecia fácil.


Assim como acontece com os clubes brasileiros nesta época do ano, é preciso fazer a ressalva de que a maioria dos jogadores da Seleção está voltando de férias, em início de temporada. Dos 11 titulares contra o Peru, apenas Paulinho atua no exterior.


Porém, só o aspecto físico não pode justificar a queda de rendimento da seleção sub-23, que precisa tirar lições da partida do último domingo, especialmente do segundo tempo, se quiser confirmar o favoritismo e garantir uma vaga nos Jogos de Tóquio.


Antes de tudo, vamos falar do que deu certo. E não foi pouco na etapa inicial. Jogando com as linhas altas e dificultando a saída de bola dos peruanos, o Brasil dominou a partida e chegou a ter mais de 80% de posse de bola em alguns momentos.


Como a escalação já sugeria, o melhor setor do time de André Jardine foi o meio de campo, que teve Bruno Guimarães como maestro. O capitão da seleção sub-23 poderia muito bem usar a camisa 10, visto que todas as jogadas passavam por seus pés. De cabeça erguida, ele distribuiu o jogo com excelência, encontrando bons passes, quase sempre verticais. Em um deles, aos 43 do primeiro tempo, ele serviu Paulinho, que marcou o gol da vitória.


Matheus Henrique, que foi caindo de produção no decorrer do jogo, também ajudava a municiar os pontas Paulinho e Antony, que ora buscavam as jogadas de linha de fundo, ora carregavam para o meio em busca do arremate ou algum companheiro melhor posicionado.


O Peru povoou a entrada da área e complicou as coisas para o Brasil, que arriscou poucos chutes de média e longa distância.


Se tivesse errado menos (ou se contasse com o artilheiro Matheus Cunha, que sofreu um mal estar e não pôde atuar), talvez o Brasil tivesse ido para o intervalo com uma vantagem maior.


A Seleção não matou o jogo no primeiro tempo e acabou por sofrer mais do que o necessário no segundo.


Nos 45 minutos finais, o Brasil insistiu em continuar marcando alto, mas não teve fôlego para se recompor quando perdia a bola. Assim, passes errados acabavam oferecendo contra-ataques para os peruanos. Um enorme buraco foi formado no meio de campo, e a zaga teve trabalho por cima e por baixo.


Para piorar, as mudanças de Jardine não surtiram efeito. Igor Gomes entrou mal, e Reinier também esteve apagado. No fim, Maycon foi acionado para fechar a "casinha".


A Seleção precisa encontrar alternativas para furar retrancas, algo que deve ser recorrente neste Pré-Olímpico. É pouco provável que o Brasil pegue adversários dispostos a jogar de igual para igual.


A defesa, embora não tenha sido vazada, também mostrou deficiências, principalmente para marcar bolas cruzadas, tanto por cima como por baixo.


A tendência é que o Brasil evolua no decorrer da competição, ao adquirir mais entrosamento e melhor condicionamento físico. O duelo de quarta-feira, contra o Uruguai, às 22h30 (de Brasília) oferecerá não só um bom teste para esta equipe, mas também a oportunidade de já encaminhar a classificação para o quadrangular final.


* https://globoesporte.globo.com/Por Bruno Cassucci — Armênia, Colômbia.







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