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Botafogo perdeu outra, mas está perto de se encontrar

Apesar de mais um resultado negativo, desta vez contra o Goiás, time de Luís Castro dá sinais claros de que está direcionado a se tornar competitivo


Primeiro de tudo, é preciso ressaltar que uma análise é sempre feita com base num recorte de tempo. Isso quer dizer que ela tem uma validade curta. Em se tratando do Botafogo, significa que ela retrata o que é o Botafogo até a derrota por 2 a 1 para o Goiás, na última segunda-feira, no Estádio Nilton Santos. Pode ser que a equipe de Luís Castro venha a deslanchar ou afundar no Campeonato Brasileiro. Mas a última partida mostrou um time que está no caminho para se tornar competitivo, capaz de brigar algo mais do que se manter na Série A. Mas que para chegar até lá precisa de amadurecimento.


E amadurecimento, neste caso, quer dizer traduzir sua superioridade em gols. Este é o resumo. Mas explicando mais claramente, o jogo contra o Goiás – principalmente o primeiro tempo – mostrou que o Botafogo é grupo estruturado. Há comando, há organização, há construção de jogadas, há jogadores bem distribuídos em campo, que sabem o que devem fazer com a bola.


Também há qualidades individuais. Há promessas como Hugo e Lucas Fernandes. Há determinação como a de Erison, que mesmo não estando nos seus melhores dias se recusou a deixar o campo após sofrer uma entorse no tornozelo. Voltou para o segundo tempo à base de remédios e ataduras no local da lesão.



Maus resultados têm abalado o momento do Botafogo — Foto: André Durão

Mas então por que perdeu? Perdeu porque é um elenco formado na maioria por jogadores com pouca experiência em grandes competições. E que por isso muitas vezes correm mais do que o necessário e se desgastam fisicamente antes de resolverem a partida. O que se viu contra o Goiás foi um time que enfraqueceu sua recomposição defensiva principalmente por desgaste físico e, assim, sofreu dois gols em contra-ataques. Poderia ter sofrido outros dessa maneira, mas o Botafogo impressionou pela determinação. Foi assim que Hugo desarmou Apodi, que avançava em velocidade, e precisou deixar o campo após o choque com o lateral alvinegro.


Perdeu também porque começou a finalizar com frequência somente na reta final do primeiro tempo, o que o impediu de abrir uma vantagem maior sobre o Goiás. O Botafogo foi quem mais teve o domínio da partida, mas esbarrou em suas limitações técnicas, e isso refletiu na ineficiência de finalizações. O time comandado por Luís Castro também tem uma outra missão neste momento: conseguir manter o foco em sua evolução enquanto lida com as críticas da torcida e sua cobrança por resultados.



- É muito fácil administrar um grupo com vitórias e difícil administrar um grupo com derrotas. No Campeonato Brasileiro, com jogos tão apertados, vitórias e derrotas acontecem por uma diferença mínima. Assim, são poucas as equipes que conseguem uma sequência de vitórias. As outras vão oscilando. Isso tudo me mostra que temos uma equipe mais madura, que sabe o que fazer, mas que em algum momento do jogo vacila e não reencontra o caminho. Isso me deixa preocupado, principalmente porque contra o Goiás foi dos jogos que mais finalizamos e que trocamos mais passes. Nossos últimos resultados não traduzem o que estamos desenvolvendo enquanto equipe. Para tudo isso só existe uma palavra: trabalho. Não adianta lamentar. É só trabalhar e seguir em frente - destacou o técnico Luís Castro.


Sem vencer há três rodadas (duas derrotas e um empate), o Botafogo precisa encontrar soluções. Está claro que algumas delas estão fora do clube e devem chegar na próxima janela de transferências. Mas enquanto isso, pode dar um jeito lançando mão do que tem à disposição agora. E o que retrato do que se tem agora é de um time perto de se encontrar.


* https://ge.globo.com/futebol/Por Gustavo Rotstein — Rio de Janeiro


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