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Botafogo aumenta repertório ofensivo, mas ainda esbarra em falhas defensivas

Apesar da derrota para o Santos, na Vila Belmiro, time de Luís Castro apresentou evoluções promissoras

O que falta a um time que soma 10 derrotas em 13 jogos e marca apenas um gol nas últimas sete partidas? A pergunta poderia enumerar muitas justificativas se esses números do Botafogo fossem analisados friamente. Mas o fato é que a lista de problemas do time que perdeu por 2 a 0 para o Santos nesta quarta (20) está bem menor do que a da equipe do início desta sequência negativa.

A começar pela diferença no papel. Por exemplo: Daniel Borges, lateral-direito, era improvisado no flanco oposto. Agora, o Botafogo parece estar prestes a resolver o setor com a chegada de Marçal, que estreou na Vila Belmiro. Chay jogava com mais frequência e, na viagem para Santos, ficou fora da lista dos relacionados por opção técnica. Gustavo Sauer estava no DM. Lucas Fernandes ainda amadurecia as boas atuações que vem emendando. Jeffinho não havia sido "descoberto" por Castro.


Elencar pontos positivos em meio a um período ruim pode soar exagero. No entanto, é nítida a evolução do Botafogo nos dois últimos confrontos, mesmo que o placar tenha terminado desfavorável para os cariocas diante do Atlético-MG e do Santos.


Jefinho em ação no Santos x Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O gol não saiu, mas não por falta de tentativa: foram 22 finalizações - metade delas, no alvo, segundo o Footstats. Para o time de Luís Castro, restou assistir à noite inspirada do goleiro João Paulo, que acumulou defesas difíceis e lamentar uma bola na trave em arremate de longe de Lucas Fernandes.


Principalmente nos 15 minutos iniciais da partida, algumas ideias de Luís Castro ficaram bem evidentes. Neste período, o Botafogo finalizou quatro vezes, empurrando o Santos contra o próprio gol. As jogadas de ataque foram promissoras.


A começar pelo chute na trave de Lucas Fernandes e à forma como a bola chegou até o meia. O lance começou na defesa com Kanu, que acionou Oyama no círculo central. O volante deu dois toques na bola: um para dominar e outro para passar para Tchê Tchê, que encontrou Lucas Fernandes na intermediária de ataque também com apenas dois toques.

Apenas cinco segundos e sete toques separam o momento em que a bola saiu dos pés de Kanu e encontrou a perna direita de Lucas Fernandes. Todos os passes foram verticais, o que indica que o Botafogo pode apostar no aprimoramento desta solução para surpreender os adversários na sequência do Brasileirão.

Outra estratégia que começou a ser esboçada foi a marcação na saída de bola do Santos. Em um minuto, o Botafogo criou duas chances assim. A primeira delas surgiu com Tchê Tchê pressionando Madson, que tentava sair de seu campo defensivo avançando pela direita. O movimento do volante botafoguense fez o lateral adversário forçar o passe em direção à sua própria área, onde Matheus Nascimento aproveitou o cochilo santista para ficar cara a cara com João Paulo, que conseguiu a defesa.


A segunda começou com Saravia no lado oposto. Ele roubou a bola quando o Santos ensaiava sair em contra-ataque. O lateral avançou até ingressar na área e chutou cruzado, no pé da trave adversária. Neste momento, a melhor opção era, em vez de concluir, acionar Matheus Nascimento, que estava livre na pequena área, a poucos metros do argentino. Outra chance oriunda da pressão na saída de bola adversária.

É clichê recorrer a uma conclusão simplista e dizer que o Botafogo merecia ter ganho o jogo, pois, contra o Santos, a produção ofensiva melhorou e realmente deixou essa impressão - tanto que Luís Castro disse exatamente isso em sua entrevista coletiva. No entanto, o time continua pecando na transição defensiva, na bola aérea e contando com repetidos erros individuais de, principalmente, Kanu e Saravia. Por consequência, acaba com o placar em desvantagem ao fim da história.

Há evolução no Botafogo, e o resultado positivo parece ser questão de tempo para corresponder às atuações. A perspectiva otimista também leva em consideração os reforços que estão por chegar (como é o caso do atacante Luis Henrique) e os que estão por se afirmar (como Marçal e Eduardo, que estrearam contra o Santos após chegarem na segunda janela de transferências).


O certo é que o time das 10 derrotas em 13 jogos e apenas um gol nas últimas sete partidas parece começar a ficar distante do Botafogo que entrou em campo contra o Atlético-MG e contra o Santos, pelo Brasileirão.


* https://ge.globo.com/futebol/Por Renata de Medeiros — Santos, SP

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