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Bagunçado, Fluminense não reage com um a mais e mostra pouco para quem mira alto

Sem meio de campo e cheio de atacantes, time quase não ameaça Ceará e faz G-6 parecer longe


Se o Fluminense pensa em Libertadores, precisa jogar mais. O futebol apresentado na derrota por 1 a 0 para o Ceará, neste domingo, é pouco e deixa o G-6 parecer cada vez mais longe, mesmo que matematicamente ainda esteja próximo – a distância atual é de dois pontos, mas pode aumentar para cinco em caso de vitória do Corinthians sobre a Chapecoense, nesta segunda-feira.

Antes da bola rolar no Castelão, Marcão disse que a estratégia, mais uma vez, seria baixar as linhas de marcação e explorar os contra-ataques em velocidade. Aos três minutos, porém, Nino cometeu pênalti infantil em Jael e "colocou água no chope" do técnico tricolor. Com a já habitual demora do VAR, Vina converteu a penalidade aos seis, "obrigando" o Flu a propor o jogo e "não só" esperar o adversário no campo de defesa.

Não é de hoje, no entanto, que a equipe apresenta ainda mais dificuldades justamente quando precisa mandar na partida. Falta velocidade, movimentação e ultrapassagem. Sobram passes para o lado, ligações diretas e "chuveirinho". Foi assim contra o Santos, na última quarta, foi assim contra o Ceará, neste domingo.


Caio Paulista em ação pelo Fluminense contra o Ceará, no Castelão — Foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Nem mesmo a (merecida) expulsão de Gabriel Dias aos 28 do primeiro tempo fez o Fluminense reagir. Com um a mais em campo, o time até teve mais controle da partida, mas não conseguiu produzir. Substituto de Yago, Martinelli foi um dos poucos que tentou, mas não teve companhia. Desorganizado, o meio de campo tricolor foi inoperante, e coube ao zagueiro (!) David Braz tentar investidas ao ataque.

Na frente, Caio Paulista fez outro jogo fraco, Luiz Henrique segurou demais a bola e Abel Hernández pouco foi acionado. Não à toa, a equipe só conseguiu finalizar uma bola na meta de João Ricardo – além do gol anulado de Lucca. Aos 49 da primeira etapa, Samuel Xavier fez boa jogada individual, invadiu a área e chutou cruzado (veja abaixo). O resto foi tudo para fora...

Sem criatividade e movimentação para furar o bloqueio criado pelo Ceará, a solução encontrada foram os chutes de média e longa distância, além dos inúmeros cruzamentos na área. Poucos, no entanto, surtiram efeito. Fred, que entrou após o intervalo, cabeceou para fora uma das melhores chances do Fluminense na partida.

A falta de criação tricolor passou também pelas escolhas de Marcão. Para o segundo tempo, além de Fred no lugar de Caio Paulista, o treinador optou por Gustavo Apis na vaga de André. Mais tarde, Danilo Barcelos assumiu o posto de Marlon, Lucca o de Luiz Henrique, e Bobadilla o de Abel Hernández.


O Fluminense, então, passou a etapa final recheado de atacantes e com um meio de campo despovoado e desorganizado. Além disso, foram 54 minutos com dois centroavantes pesados dividindo a área: primeiro, Fred e Abelito; depois, Fred e Bobadilla. Isso porque a equipe precisava de velocidade.


– Quando a gente colocou o segundo atacante foi para segurar a última linha, prender com os dois jogadores que fazem o pivô. E, se tivesse jogada de lado, a gente aproveitaria o posicionamento dos dois. Conseguimos segurar a última linha deles, mas fomos pouco efetivos. A gente chegou do lado, poderia variar bastante por dentro, com esses dois jogadores. É o ajuste necessário que a gente precisa para criar as situações que a gente quer transformar em gols – explicou o treinador em coletiva pós-jogo.


Marcão, técnico do Fluminense, em jogo contra o Ceará, no Castelão — Foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Sem Ganso (em recuperação de fratura no antebraço) e Cazares (por "desequilíbrio muscular"), Marcão levou Wallace para o banco. O jovem tem qualidade no passe e poderia ter sido opção para quebrar a linha de marcação adversária. É claro que não há garantia de que mudaria o jogo, mas seria uma aposta e uma variação em meio ao já conhecido e que não tem funcionado.


Assim, a equipe chegou ao segundo jogo seguido com derrota e com uma dificuldade enorme: fazer gols.

Nas últimas sete partidas, os atletas do Fluminense só marcaram no Fla-Flu. Fora isso, passaram em branco diante de Fortaleza, Atlético-GO, Corinthians, Santos e Ceará; e contaram com gol contra de Zé Ivaldo na vitória sobre o Athletico-PR.

Bobadilla, do Fluminense, em ação contra o Ceará — Foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Com a semana livre para treinar, Marcão precisa encontrar opções que façam a bola chegar ao ataque com qualidade. Insistir em peças está custando caro a um Tricolor que ainda sonha com G-6, mas não joga para tal. O próximo compromisso é sábado, contra o Sport, às 21h (de Brasília), no Maracanã, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Considerações finais 📋


  • O pouco poder de reação do Fluminense na temporada assusta. Como citado pelo ge na última semana, a última e única virada do time no Brasileirão foi contra o Sport, em julho. Levando em consideração que o próximo adversário é justamente o clube pernambucano, o Tricolor completará, no mínimo, um turno sem conseguir reverter sequer um resultado;

  • Com os tropeços recentes, o Fluminense não só desperdiça chances de entrar no G-6, como também ganha concorrência. América-MG e São Paulo já encostaram, e o próprio Ceará se aproximou, com três pontos a menos. É preciso reagir.


* https://ge.globo.com/Por Paula Carvalho — Rio de Janeiro.




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