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'Aquele que pega em armas, a guerra deve ter', diz Witzel na transmissão do cargo

Governador eleito recebeu o cargo de Francisco Dornelles nesta quarta-feira. Em seu discurso, manteve tom duro contra criminosos e defendeu cortes de gastos



Witzel recebe faixa de governador das mãos de Francisco Dornelles - Alexandre Brum.


Rio - O novo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), manteve o tom de enfrentamento pesado a traficantes e de defesa a cortes de gastos no discurso que marcou a cerimônia de transmissão do cargo, realizada na tarde desta quarta-feira no Palácio Guanabara, em Laranjeiras. O político eleito recebeu a faixa governamental das mãos do ex-governador em exercício Francisco Dornelles (PP) e deu posse aos secretários que comporão sua equipe. Witzel fez questão de mandar confeccionar o símbolo, que já havia caído em desuso em cerimônias de posse no estado.


Depois de cumprimentar o vice-governador, Cláudio Castro (PSC), Witzel ressaltou que criminosos com fuzis não poderão mais ser tratados 'de forma romântica'.


"O crime organizado não pode mais estar com a liberdade que dispõe hoje de portar armas de guerra, de fazer refém a sociedade e ser tratado de forma romântica como sujeitos que não tiveram oportunidades. Todos tivemos oportunidades. Todos aqueles que querem estudar e trabalhar encontrarão o seu caminho e nós vamos ajudar a diminuir o desemprego", afirmou Witzel. "Aquele que pega em armas e chama para si a guerra, a guerra deve ter. Como terroristas serão tratados." Após o discurso, o governador disse aos jornalistas que pediu ontem ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, empenho na regulamentação da Lei Antiterrorismo, com o objetivo de aumentar as penas de narcotraficantes, e a federalização de uma das unidades prisionais do estado. Comentou ainda que imagens de drones com monitoramento eletrônico adquiridos pelo Gabinete de Intervenção serão utilizadas para fins judiciais e para auxiliar em buscas e apreensões e em prisões.


"No meu ponto de vista, não existe necessidade de mudar a lei (para permitir o 'abate' de traficantes). Quem está com fuzil na mão é ameaça e como ameaça deve ser tratado. Eu estou propondo ao Congresso Nacional através da nossa bancada, e conversei ontem com o ministro Sérgio Moro, para regulamentar a Lei Antiterrorismo, onde as pessoas que estejam no comando do crime organizado sejam tratadas com mais rigor em presídios sem qualquer regalia, sem visitas, com advogados públicos e com tempo de prisão que vai além dos 30 anos máximos. Alongar isso para 50 anos para o crime organizado", declarou Witzel.


Wilson Witzel também tratou do déficit orçamentário de R$ 8 bilhões que o Estado do Rio terá de enfrentar este ano e reforçou que serão necessárias medidas de redução de custos e racionalização do uso dos impostos pagos pela população. Ele pediu compreensão do Ministério Público e da Justiça em relação às ações que questionam os limites constitucionais dos gastos públicos. "Eu sei o quanto anseiam tanto o MP como o Poder Judiciário, principalmente diante de tantos escândalos, de fazer com que o orçamento seja respeitado. Mas eu peço a Vossas Excelências (...) um pouco mais de paciência, porque o governo tem o compromisso absoluto para que esse dinheiro seja bem utilizado", destacou.


Na entrevista coletiva, o governador explicou que “há impossibilidade material” de se cumprir hoje os mínimos constitucionais, mas garantiu que metas que ainda serão estabelecidas permitirão a reversão do quadro.


Após a cerimônia, o secretariado participou da primeira reunião com o governador empossado, mas ainda não foram divulgados os detalhes. "As medidas que iremos tomar até o final do ano, que serão apresentadas após a reunião do secretariado, vão permitir que o déficit seja suprido, sejam elas de austeridade orçamentária, sejam elas de leilão reverso de contratos, desconto no pagamento de contratos, redução dos custos com aluguéis e reorganização de algumas atividades que possam estar mais caras do que a necessidade".


* O DIA/Por GUSTAVO RIBEIRO.






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