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Análise: novo Botafogo estreia e derrota ajuda a lembrar que mudança não será imediata

Com cinco reforços estreando, primeiro jogo do time de Luís Castro tem escalações questionáveis e atuações abaixo das esperadas. Partida mostra que equipe precisa de tempo


Aos três minutos do primeiro tempo da derrota do Botafogo por 3 a 1 para o Corinthians, o comentarista Roger Flores disse na transmissão da Globo que era o começo de uma nova Era para o clube carioca. Mas ressaltou a importância do time se encaixar, conhecer e entrosar: "Não vai ser de uma hora para outra". O comentarista praticamente acertou o que seria visto na tarde do último domingo no Nilton Santos. Um time desentrosado, com peças deslocadas e fora de ritmo.


O início da caminhada do novo Botafogo até foi animador. Embalado por uma festa impressionante da torcida desde antes do jogo, os jogadores estavam ligados. Logo aos quatro minutos, Victor Sá fez bela jogada pela esquerda e encontrou ótimo passe para Erison driblar Cássio, mas o centroavante brigador adiantou demais a bola e perdeu a oportunidade de abrir o placar.

Dos cinco reforços, desde a chegada de John Textor, que estrearam com a camisa alvinegra no último domingo, quem mais se destacou no Nilton Santos foi o atacante que atuou pelo lado esquerdo do campo. Mesmo aos 47 do segundo tempo era possível ver Victor Sá voltando até a linha de fundo de defesa para desarmar um ataque corintiano, com o placar já marcando os 3 a 1. Só que a boa atuação do reforço vindo do mundo árabe tornou o time previsível, já que as principais jogadas aconteciam por aquela região do campo.


Time do Botafogo precisa se entrosar bem mais — Foto: Vitor Silva/Botafogo

E isso aconteceu porque na outra ponta quem estava espetado era o camisa 14, Chay, que é mais de distribuir o jogo do que dar velocidade. Luís Castro justificou que o motivo para isso era aproveitar os avanços de Saravia. A escalação não deu certo e, além de não conseguir ajudar no apoio pela direita, o lateral argentino ainda penou com a excelente atuação de Willian no primeiro tempo. Visivelmente fora de ritmo, até porque não atuava desde dezembro do ano passado, Saravia teve dificuldades para conter os avanços no seu lado do campo.

A tarde ruim não foi apenas do lateral-direito argentino. No outro lado, Jonathan Silva fez um primeiro tempo em que errou quase tudo que tentou. Foram nos dois lados do campo que surgiram as jogadas de gols da equipe paulista. Seja em erro de passe, perda de bola na frente da defesa e desorganização da equipe, praticamente nada funcionou para o Botafogo no primeiro.

Na volta do intervalo Luís Castro abdicou da ideia inicial de ter Chay aberto pela direita e centralizou o meia com a saída de Lucas Piazon - que fez partida discreta - e entrada de Diego Gonçalves improvisado na direita. Na lateral esquerda, a troca de Hugo por Jonathan Silva diminuiu o incômodo da torcida naquela região do campo. Além disso, trocou o brigador Erison pelo garoto Matheus Nascimento.


As alterações surtiram efeito. O time melhorou, mas do outro lado o Corinthians pareceu diminuir a intensidade, até porque o principal jogador, Willian, foi substituído. Mas o Botafogo não tinha nada com isso e a torcida que tanta festa fez merecia uma exibição melhor.


Com 14 minutos do segundo tempo, Oyama recebeu de Matheus Nascimento, avançou e tocou rasteiro para o garoto mandar por cima do gol, de primeira. Foi suficiente para animar os botafoguenses, que depois viram ele ser derrubado dentro da área e o árbitro marcar o pênalti, convertido por Diego Gonçalves. O jovem centroavante ainda teve outra chance, mas finalizou fraco e no meio do gol.


Dali em diante o jogo não teve grandes emoções e caminhou para o fim sem surpresas. Vale ressaltar que Gatito Fernández fez duas ótimas defesas que evitaram que o placar fosse ainda maior para os paulistas. No apito final, vaias e aplausos se misturaram no estádio lotado.


Saravia deixou a desejar na estreia pelo Botafogo — Foto: Alexandre Durão

Enquanto parte da torcida compreendia que esse foi apenas o primeiro trabalho de Luís Castro, com um time que teve cerca de 10 dias para treinar, outra fazia questão de mostrar a insatisfação. Como o próprio técnico sabe e ressaltou isso tanto na apresentação quanto na entrevista coletiva após o jogo, o trabalho precisa de tempo. E tempo, no futebol, se conquista com resultados. Não será em duas ou três semanas que o time vai se conhecer, mas espera-se que contra o Ceará, no próximo fim de semana, seja uma equipe mais acostumada a jogar junto e que entenda as ideias.

* * https://ge.globo.com/futebol/Por Davi Barros — Rio de Janeiro

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