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Análise: início da "Era Marcão" no Fluminense vai da empolgação à frustração, e erros custam o G-4


Flu faz grande primeiro tempo em São Januário, mas repete "apagões" de Odair na etapa final. Técnico tem escalação contestada e peca na estratégia e substituições após cair em armadilha


A nova "Era Marcão" no Fluminense tinha tudo para começar com o pé direito. Antes de entrar em campo, os demais resultados ajudaram, e bastava uma vitória simples para voltar ao G-4. Com a bola rolando, vantagem no placar e um domínio total em posse de bola e chances criadas, mesmo jogando fora de casa. Mas a empolgação durou só os primeiros 45 minutos. Em um segundo tempo pífio, o time amargou um frustrante empate por 1 a 1 com o Vasco em São Januário.


Novo técnico, velha reclamação. Marcão prometeu um time igual ao de Odair Hellmann neste início de trabalho, tanto que só fez duas mudanças forçadas na escalação, em relação à vitória por 3 a 1 sobre o Athletico-PR: Igor Julião e Yuri entraram nas vagas de Calegari (na seleção sub-20) e Martinelli (no departamento médico). No entanto, o comandante acabou revivendo um roteiro em que seu antecessor no cargo cansou de sofrer com as críticas: o recuo no segundo tempo.

Fluminense foi um time apático no segundo tempo e não finalizou nenhuma vez — Foto: André Durão / ge


Mas por que recuou? Porque apostou em uma estratégia equivocada e caiu na armadilha tática de Ricardo Sá Pinto. "Fica com a bola, Fluminense", bradava Marcão durante o segundo tempo, tendo seus gritos captados pelos microfones de televisão em um estádio sem público. Só que o time retraído em nenhum momento se armou para ser reativo, desperdiçando chances de contra-ataques ao tentar manter a posse de bola em toques para trás ou para os lados.


Quando Talles Magno e Carlinhos entraram, a marcação tricolor até então encaixada se perdeu, e o Vasco ganhou o meio de campo e começou a criar chances até o gol de empate. Depois da entrada da dupla rival, Marcão demorou 10 minutos para perceber que o time se desestruturou por completo e tentou corrigir com as substituições, mas errou. Naquele cenário do segundo tempo, não era jogo para Ganso e para Fred. E só Caio Paulista entre as peças de velocidade foi acionado.


Michel Araújo foi bem na etapa inicial e perdeu chance de fazer 2 a 0 — Foto: André Durão / ge


Porém, talvez o grande equívoco de Marcão tenha sido na escalação. Sem entrar no mérito de Ferraz ou Nino, Egídio ou Danilo Barcelos. Marcos Paulo vem demonstrando que rende muito melhor como meia, organizando o jogo, do que como falso 9. Escalado novamente na função, foi uma peça nula em campo no primeiro tempo, justamente quando o time vivia o seu melhor momento. Fred poderia ter sido muito mais útil com este volume de jogo do que entrando na equipe recuada.


Flu chegou a ter 69% de posse de bola, 9 finalizações e 3 chances de gol no 1º tempo. Mas terminou o jogo com 50% da posse e sem nenhuma finalização na etapa final.


Marcos Paulo voltou do intervalo aberto pela esquerda, mas praticamente não tocou mais na bola, já que o time abriu mão de atacar no segundo tempo. Enquanto teve perna, Michel Araújo foi a grata surpresa jogando pelo meio e sendo muito participativo, com Nenê atuando aberto pela direita. Mas ainda acho que o camisa 77 oferece mais pelo meio, mais perto da área, onde tem boa finalização e passe, como o que deixou o uruguaio cara a cara com Fernando Miguel.


Marcão cometeu erros que custaram caro e precisará ousar mais para ir à Libertadores — Foto: André Durão / ge


Justiça e futebol nem sempre caminham juntos, mas desta vez estavam lado a lado. Se o Fluminense vence o clássico, estaria no G-4 do Campeonato Brasileiro sem estar jogando para isso. Restando 13 jogos até o final da temporada, Marcão terá que ser mais ousado para buscar o sonho da Libertadores. O próximo desafio é quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Atlético-GO no Estádio Antônio Accioly. Os jogadores se reapresentam na tarde desta segunda no CT Carlos Castilho.


* https://globoesporte.globo.com/futebol/Por Thiago Lima — Rio de Janeiro


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