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Análise: Fluminense amarga duro tropeço, mas evolução ofensiva dá esperança de dias melhores

Arias se encaixa bem, time cria bastante com a bola rolando e desperdiça chance de matar o jogo no Maracanã. Empate em 1 a 1 com o Juventude faz Flu perder preciosos e irrecuperáveis pontos


O futebol além do resultado é o que permite um sentimento de decepção após um 2 a 0 sobre o Bahia no Maracanã, e de esperança depois de um tropeço em casa por 1 a 1 diante do Juventude (veja os melhores momentos no vídeo abaixo). Como explicar? É tudo uma questão de desempenho. Em jogo atrasado da 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Fluminense jogou bem, criou bastante com a bola rolando e fez os olhos dos tricolores brilharem muito mais nesta quinta do que na última segunda-feira.


Em sua quarta partida sob o comando de Marcão, o time tem apresentado uma nítida evolução. O técnico nunca escondeu sua preocupação em aumentar o volume ofensivo da equipe, a ponto de tentar até propor o jogo contra o poderoso Atlético-MG na Copa do Brasil. Mas aos poucos ele parece estar conseguindo. Contra o Juventude, o Fluminense fez a sua melhor atuação desde os 2 a 0 sobre o Cerro Porteño, no Paraguai, no dia 13 de julho, pela Libertadores.


O gol tricolor nasce de um desarme de Yago, passa por Fred e chega para Arias marcar o primeiro de bola rolando de um Fluminense que vinha de nove dos últimos 10 gols de bola parada. Algumas jogadas específicas contra o Juventude mostram bem essa evolução ofensiva.


Samuel Xavier e a chance que poderia ter matado o jogo no Maracanã — Foto: André Durão / ge

Por exemplo:

Aos 21 minutos do primeiro tempo, Samuel Xavier faz linda tabelinha com Lucca, que devolve de calcanhar para ele cruzar na área, enquanto Nonato chega de trás como elemento surpresa no buraco deixado propositalmente por Fred. Mas o cruzamento saiu forte demais e não encontrou ninguém;


Dois minutos depois, aos 23, outra jogada de toques rápidos que começou com Nonato na esquerda, passou por André, Arias e Yago, que forçou um lançamento para Fred no facão e não viu Lucca livre no lado direito. O passe saiu forte demais para um camisa 9 que não tem mais a velocidade de antes;


E aos 11 do segundo tempo, a jogada mais espetacular do jogo, no mesmo estilo de toques rápidos, mas que envolveu oito jogadores: André dá em Egídio, que aciona Nonato na esquerda. Ele toca para o meio, Arias faz o corta-luz, Fred dá de letra para Yago, que passa na corrida para Lucca. O atacante escora de letra, e Fred chega de trás tocando na direita para deixar Samuel Xavier cara a cara com o goleiro, mas chutar para fora. Lance aplaudido de pé pelos dirigentes tricolores em um dos camarotes do Maracanã. Merecia muito ter entrado essa bola.


Os números da partida também mostram a superioridade do Fluminense no duelo: teve 56% de posse de bola, finalizou 12 vezes contra sete do adversário e criou cinco grande oportunidades. Além do gol e do gol perdido por Samuel Xavier, Lucca chutou sozinho na área com um minuto de jogo, mas parou no goleiro; e Luiz Henrique entrou no segundo tempo e teve duas chances: uma em chute que raspou a trave e outra em que recebeu na área e não conseguiu tirar do goleiro. Se Egídio e Samuel Xavier tivessem conseguido acertar os cruzamentos, poderiam ter rendido ainda mais oportunidades.

Chama a atenção como Arias encaixou como uma luva na ponta esquerda. O colombiano pensa rápido, tem bom poder de decisão e muita influência na melhora ofensiva do time. Nonato também estreou bem como titular, roubando bolas e ainda aparecendo no ataque. Ele pode fazer tanto a função de Martinelli como de Yago e também vai subir o sarrafo da concorrência no meio. E Caio Paulista enfim parece estar voltando de lesão para disputar posição com Lucca.


Bola aérea foi a arma mais explorada pelo Juventude contra o Fluminense — Foto: André Durão / ge

A bola aérea é que ainda precisa melhorar. Apesar do gol do Juventude ter sido marcado contra por Lucca, o atacante comprometeu o resultado justamente em um chuveirinho na área. Wagner também assustou em cabeçada no fim do jogo, e no gol anulado de Rafael Forster, aos 28 minutos do primeiro tempo, Marcos Felipe saiu em falso e ficou vendido, reforçando a fragilidade pelo alto. Para sorte dos tricolores, Héber Roberto Lopes marcou uma falta inexistente em cima de Fred e invalidou o lance.

A atuação e o cenário dão esperanças de dias melhores para a torcida. Mas também é preciso relativizar. O time do Juventude, apesar de bem armado e aguerrido, é inferior tecnicamente ao Fluminense. Por isso, era o famoso "jogo de seis pontos", onde a obrigação era toda tricolor, e foi um duro tropeço. Os preciosos dois pontos perdidos são irrecuperáveis, como foram os desperdiçados contra Grêmio e América-MG, times que também estão na parte debaixo da tabela.


Arias fez fila, infernizou a defesa do Juventude e encaixou como uma luva — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

O elenco tricolor folga nesta sexta-feira e se reapresenta na manhã de sábado no CT Carlos Castilho. O Fluminense volta a campo na próxima terça, quando visita a Chapecoense às 21h30 (de Brasília), na Arena Condá, em mais um "jogo de seis pontos" na última rodada do primeiro turno. Com 22 pontos, o time de Marcão desperdiçou a chance de voltar para a primeira página da tabela e está em 11º lugar, empatado com Santos e o próprio Juventude, mas com melhor saldo de gols.


* https://ge.globo.com/Por Thiago Lima — Rio de Janeiro.


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