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Análise: ainda sem vencer com Marcão, Fluminense mostra crise de identidade contra Atlético-GO

Tricolor não aproveita posse de bola, perde compactação defensiva e é derrotado por 2 a 1. Treinador terá de buscar soluções para dar padrão de jogo, equilibrando seu estilo com de Odair


Mais do que o fato de o Fluminense ainda não ter vencido sob o comando de Marcão, as atuações nestas duas partidas é que causam maior preocupação. Depois do 2º tempo decepcionante no empate contra o Vasco, o Tricolor fez 90 minutos ruins na derrota por 2 a 1 para o Atlético-GO, nesta quarta-feira, em Goiânia. O que se viu foi um time lento, sem intensidade e pouco incisivo. Com o time estacionado em 7º lugar na classificação do Campeonato Brasileiro, o treinador terá de buscar soluções para dar um padrão de jogo à equipe, para que o torcedor possa continuar sonhando com uma vaga na Libertadores sem precisar depender de um G-8.



Marcão, técnico do Fluminense — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC


Ao assumir o time na terça-feira passada após a saída de Odair Hellmann para o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, Marcão prometeu “a segurança e o equilíbrio” do time de seu antecessor, com o acréscimo da posse de bola, que, em 2019, havia conseguido resgatar da passagem de Fernando Diniz. O atual grupo, porém, é bastante diferente e não mais condicionado a jogar como o que o ex-volante assumiu na reta final do ano passado. Marcão precisará, neste caso, buscar soluções internas, tanto táticas, quanto em termos de peças, para conseguir implantar seu estilo sem perder o que Odair construiu de positivo.


Nestas duas primeiras partidas, o Fluminense vive uma crise de identidade. Contra o Atlético-GO até conseguiu ter mais a bola (57% a 43%). Mas não soube usá-la. Pouco criou e finalizou cinco vezes, sendo apenas duas na direção do gol, ambas no 2º tempo. Chegou ao gol somente nos acréscimos, quando o resultado estava praticamente decidido.


Defensivamente, por sua vez, o time não apresentou a compactação, ponto forte de Odair. Espaçado na frente da defesa, o Fluminense permitiu ao Atlético-GO criar um volume de oportunidades no 1º tempo e abrir o placar com Wellington Rato e continuar levando perigo na 2ª etapa. Novo titular, Marcos Felipe teve trabalho e, com boas defesas, impedia que o rival abrisse vantagem.


Quanto ao setor de meio de campo, vale fazer uma ressalva sobre o peso dos desfalques. Se já não vinha contando com Dodi, afastado, a dinâmica do setor ainda era mantida com Martinelli (machucado) e/ou Yago (suspenso). Sem muitas alternativas à disposição, Marcão escalou Yuri de primeiro volante e colocou Hudson mais adiantado (como Odair já vinha fazendo), em uma segunda linha com Michel Araújo. Não deu liga. O setor foi lento e pesado. Yuri não foi capaz de dar fluidez à saída de bola junto com Nino e Matheus Ferraz, e Hudson não conseguiu contribuir na frente.



Yuri, volante do Fluminense — Foto: Mailson Santana FFC


Marcão tentou mudar a estratégia no 2º tempo, mas as decisões de substituições e os rearranjos táticos foram motivos de questionamento. Sem conseguir as infiltrações desejadas pelo meio, buscou mais amplitude colocando Fernando Pacheco pela ponta direita. Para isso, preteriu Michel Araújo, mantendo Hudson, apesar do ex-são-paulino sempre cair de ritmo nas segundas etapas.


Já aos 25 do 2º tempo, tirou Yuri, que não fazia boa partida, colocou Lucca para atuar no setor intermediário e recuou Hudson, voltando ao 4-1-4-1 inicial, mas com peças de características diferentes. O time seguiu dependendo de lampejos.


As últimas mudanças foram já aos 39: Ganso e Felippe Cardoso nos lugares de Nenê e Marcos Paulo, logo antes da marcação do pênalti com a ajuda do VAR e o segundo gol do Atlético-GO. Após poucos minutos contra o Vasco depois de um mês fora de combate, Fred ficou em campo os 90 minutos. E com uma atuação que não justificou sua manutenção durante toda a partida. Já nos acréscimos, o Flu ainda descontou no placar, com Cardoso de cabeça em levantamento de Lucca. Mas já era tarde demais. O jogo estava praticamente decidido.



Felippe Cardoso, após marcar em Atlético-GO x Fluminense — Foto: Mailson Santana FFC


O Fluminense volta para o Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Os jogadores se reapresentam na sexta e o técnico Marcão terá até a próxima semana inteira para conseguir dar uma cara para o time. Os dois próximos compromissos, porém, são contra duas das melhores equipes do país: São Paulo (26/12) e Flamengo (06/01). A boa campanha do antecessor Odair no Brasileiro somada aos dois jogos sem vitória já colocam pressão sobre Marcão. E a virada do ano precisará marcar também uma virada na postura de sua equipe para que a torcida tricolor continue sonhando com o retorno à Libertadores.


* https://globoesporte.globo.com/Por Felipe Siqueira e Thiago Lima — Rio de Janeiro.


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