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  • Jornal Esporte e Saúde

Alzheimer e Parkinson são algumas das possíveis consequências de lutas de MMA

Além das pancadas e traumatismos, golpes que levam ao sufocamento também podem trazer danos irreparáveis.


Foto: Reprodução internet


Em maio de 2012, o lutador de MMA (Artes Marciais Mistas) Dustin Jenson, dos EUA, morreu devido a uma lesão cerebral causada seis dias antes, durante uma luta.

O que para uns pode parecer uma fatalidade, para os especialistas é uma certeza: os esportes de luta oferecem riscos de traumas sérios que podem trazer sequelas neurológicas graves, como Alzheimer e Parkinson, e até mesmo provocar o óbito do lutador. Se há como evitar? “Do ponto de vista neurológico, não há como prevenir. A prevenção está no indivíduo justamente não se expor a tais agressões”, conta o neurocirurgião Atílio Faedo Neto, coordenador clínico do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.


Alto risco, alto impacto


Ao praticar MMA, o lutador está exposto ao risco de diversos traumatismos, como os de face (supercílio, maxilar, mandíbula) e o craniano (fratura de crânio e lesões no couro cabeludo); traumas abdominais; fratura de arcos costais; lesões no baço, fígado e outros órgãos internos; traumas torácicos com fraturas de arcos costais e lesões de pulmão (hemotórax ou pneumotórax traumático); lesões cerebrais como contusões hemorrágicas em áreas superficiais - como o córtex - ou mais profundas - como o tronco cerebral -, ruptura de pequenos vasos levando a hematomas subdurais ou extra durais e, “em casos mais graves, pelo grande traumatismo provocado, lesões axonais difusas que podem levar o indivíduo à morte”, alerta o médico.

Os lutadores sabem dos ricos que correm e um estudo realizado por pesquisadores da John Hopkins University School of Medicine em 2006, e que segue ainda como um dos mais completos sobre o tema, indica que o MMA é menos lesivo para o cérebro do que o boxe, pois apresenta menor incidência de nocautes.

Após estudar 171 lutas envolvendo 220 lutadores, descobriu-se ainda que os lutadores mais velhos apresentam tantas probabilidades de sequelas quanto aqueles que foram nocauteados. Outro estudo, comandado por cientistas da Cleveland Clinic (EUA), indica que ainda é preciso realizar mais pesquisas para determinar como proteger a cabeça e o pescoço de lutadores de boxe e MMA para reduzir o impacto dos socos e chutes e seus efeitos nessas áreas, já que apenas luvas e capacetes não são suficientes para prevenir lesões.

Ery Silva é personal trainer e coordenador de lutas da Pretorian, empresa fabricante de equipamentos para treino de MMA e patrocinadora da modalidade. Ele conta que as entidades orientam os lutadores sobre os riscos do esporte e modos de evitar lesões. “Já o papel do treinador é orientar seu aluno a se proteger da melhor maneira possível, pois há poucas formas de se resguardar na luta. Basicamente, com equipamentos, ele tem luvas, bandagens e protetores bucal e genital”, enumera.


Consequências


As leis da física pregam que “para cada ação, há uma reação”. No caso do MMA, cada pancada pode trazer sequelas, algumas transitórias e outras permanentes. Faedo Neto cita a concussão, com perda súbita dos sentidos, até uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada (com contrações involuntárias e musculares em ambos os lados do corpo) como exemplos de sequelas passageiras.


“As sequelas definitivas vão depender da gravidade do traumatismo sofrido. Podem ser desde crises epilépticas para o resto da vida ou perda da capacidade cognitiva (raciocínio e memória), lesões cerebrais profundas como a Síndrome de Parkinson – problema que afeta o ex-boxeador Mohamed Ali -, lesões cerebrais por pequenas ou grandes contusões hemorrágicas etc. Acredita-se que os traumas cerebrais provocados pelo MMA possam provocar a Síndrome de Alzheimer, assim como a Síndrome de Parkinson”, conta o neurocirurgião.


Quando falta o ar


Além dos socos, chutes e pancadas que afetam diretamente a cabeça e o pescoço do lutador, um dos golpes mais populares no MMA, o estrangulamento, também oferece perigo à saúde neurológica do oponente. “O estrangulamento é um golpe perigoso. Orientamos o atleta a se proteger de forma segura e, caso o receba, não resistir ao extremo, pois pode causar danos maiores caso ele o faça. Diga para o adversário bater e usar o bom senso. O MMA é um esporte que cresce muito e queremos mostrar a beleza por trás de tudo, então o bom senso deve ser usado sempre por todos os lutadores”, ensina Silva.

Faedo Neto complementa: “o estrangulamento pode causar lesões graves, como o sufocamento do indivíduo, levando-o à parada da oxigenação cerebral, desmaio e edema cerebral. Pode causar hérnias discais traumáticas ou mesmo fraturas da coluna cervical com lesão medular, ou ainda causar lesões de vasos e ligamentos da região traumatizada”.


O MMA


Criado há 20 anos nos EUA, o MMA ganhou fama por meio do Ultimate Fighting Championship (UFC), concurso de “vale-tudo”. A modalidade ganhou destaque rapidamente por ser considerada violenta e bruta. A partir de 2001, alguns estados norte-americanos começaram a reconhecer o esporte e a regulamentar suas disputas, transformando o octógono num palco e as lutas em verdadeiros shows, com plateia lotada e torcidas.

Por causa dos potenciais riscos à saúde e à vida dos lutadores, equipes de paramédicos são designadas para o local das lutas para prestar atendimento imediato caso os lutadores apresentem sintomas como desorientação, desmaio, confusão mental etc.

Ainda assim, desde sua criação e profissionalização, outras mortes já foram relacionadas aos danos cerebrais. Em 1998, Douglas Degde faleceu por causa de lesões no cérebro. Em 2007, Sam Vasquez veio a óbito por hemorragia cerebral, mesma causa que matou, em 2010, Michael Kirkham depois de uma luta. Ano passado, Mike Mittelmeier sofreu uma pancada que o levou ao coma e a uma hemorragia cerebral que cessou sua vida.


* http://www.educacaofisica.seed.pr.gov.br/Por Jornalismo Portal EF

Consultoria Técnica: Marcio Santos





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