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Adolescente com autismo supera limitações por meio da arte e sonha em ser quadrinista no RJ

Morador de Campos, Isaac Guimarães começou a vender desenhos para comprar lápis de qualidade e canetas para investir ainda mais na criatividade. Inspiração surge de

mangás e animes.



Isaac passou a vender os desenhos e sonha em ser quadrinista — Foto: Paulo Veiga/Inter TV.


Aos 15 anos, Isaac Guimarães, morador de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, supera as limitações do autismo por meio da arte e sonha em ser quadrinista.


"Se, por acaso, eu fosse quadrinista e fosse convidado para eventos geek, eu ia ficar realmente muito feliz", disse.Recentemente, Isaac começou a vender os desenhos para conseguir investir ainda mais na criatividade, com a compra de materiais como lápis de cor e canetas de qualidade, marcadores de desenhos, que custam em média R$ 300 o kit com 12 unidades, além de papéis para marcador, que custam R$ 50 o pacote.


"Ele quer ter ferramentas melhores para fazer um trabalho com mais qualidade", disse a mãe, Bec Flor, que trabalha em uma escola e não tem condição de arcar totalmente com os custos dos materiais.


Isaac está cursando o 9º ano do ensino fundamental. Segundo a mãe, ele é muito dedicado e esforçado, sabe ler bem, mas tem dificuldade para escrever, por exemplo, porque além do autismo, também tem dislexia.


De acordo com Bec, a inspiração do adolescente vem dos mangás e animes. Já sobre a ideia de vender os desenhos, a mãe contou que começou de forma espontânea.


"Ele abordou duas mulheres em um evento e disse: 'Boa tarde, sou o Isaac, sou desenhista, você gostaria de encomendar um desenho?'", disse.


A mãe se orgulha do filho e conta que os desenhos, que são vendidos pelas redes sociais, têm até fila de espera.


"Quando alguém encomenda algum desenho dele, eu me sinto a empresária, né? Ele fala 'olha, tem uma lista de espera, tem que ver com a minha mãe porque ninguém pode furar fila'", afirmou.


Apoio da família e amigos



Bec é uma das grandes incentivadoras do trabalho do filho — Foto: Bec Flor/Arquivo pessoal.


Bec acredita na importância que os pais têm neste processo de não impor limites para os sonhos dos filhos, independente das limitações que eles possuem.


"Não rotule seu filho, não coloque na sua cabeça que ele não é capaz ou que ele não vai gostar, a gente não sabe. É tudo mistério, né? Tudo um segredo. Então, oportunize, crie meios para o seu filho experimentar, sabe? A arte tem vertentes infinitas, infinitas interpretações", afirmou a mãe.


Bec também se preocupa com o futuro do filho e afirma que sabendo que ele tem o dom para viver da produção dos próprios desenhos se sente mais segura.


"Quando a gente está aqui a gente luta junto, mas quero que ele consiga seguir a vida e que a arte seja uma oportunidade para ele se desenvolver".


Técnica e aperfeiçoamento


Quando termina um desenho, Isaac gosta de pedir a opinião do pai, Yuri Cardoso, que é desenhista e sempre auxilia dando instruções técnicas.


"Ele acha que eu vou ser o crítico sincero. Quando mostra um desenho que ele mesmo não gosta, que não está bonito, ele sabe que, quando me mostrar, eu vou dizer para ele 'olha ali, olha aqui', essas coisas, então ele gosta de me mostrar os desenhos por causa disso", disse Yuri.


Segundo Bec, o adolescente também pede ajuda para o padrasto que é grafiteiro e assiste a tutorais na internet para se desenvolver.


Ela contou que, atualmente, não tem condições financeiras para matriculá-lo em um curso de desenho.


Apesar disso, Isaac conta que quer continuar se especializando na arte e afirma que desenhar proporciona uma sensação prazerosa.


"Eu ainda sou um desenhista amador, mas quando estou desenhando, sinto que eu estou no caminho para ser um desenhista já formado, um desenhista profissional", afirmou.


* Por Aline Rickly e Alice Sousa, G1 e RJ2 — Campos dos Goytacazes;







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